domingo, 3 de novembro de 2013

A turma de Helena: Qué luxo de Asa Branca Marquito!6 anos (1 ano e 3...

A turma de Helena: Qué luxo de Asa Branca Marquito!
6 anos (1 ano e 3...
: Qué luxo de Asa Branca Marquito! 6 anos (1 ano e 3 meses desd e o inicio das aulas) Asa Branca, de Luis Gonzaga

A turma de Helena: Qué luxo de Asa Branca Marquito!6 anos (1 ano e 3...

A turma de Helena: Qué luxo de Asa Branca Marquito!
6 anos (1 ano e 3...
: Qué luxo de Asa Branca Marquito! 6 anos (1 ano e 3 meses desd e o inicio das aulas) Asa Branca, de Luis Gonzaga

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

terça-feira, 4 de dezembro de 2012




Homonímia

Embora comum, a homonímia pode resultar danosa e ser responsabilizada pela grande quantidade de danos e malefícios, que se estendem dos mais prosaicos aos mais comprometedores.
Aqueles que ainda não se deram conta da gravidade do problema precisam, urgentemente, dedicar atenção redobrada a tudo o que for veiculado em seu nome, pois o autor pode não ser você.
Nos dias atuais, a falta de respeito, de ética e a impunidade que grassa solta em todos os níveis da sociedade, banalizados pelo advento da internet, que aceita tudo o que é postado, independentemente da veracidade ou não das informações veiculadas, vem solapando os valores morais de um povo que já foi educado, culto, condescendente, honesto, respeitoso e patriota, transformando-o no que vemos e sentimos, uma súcia de elementos marginais guindados aos mais altos postos da escala social, em todos os segmentos da comunidade, indistintamente.
Aprendi - ainda nos bancos escolares - lendo “A República” de Platão e posteriormente vivenciando diversas formas de organização política, das ditaduras ao pleno estado de direito, que a democracia é a mais igualitária das formas de governo, pois, nela:

“O direito de um indivíduo termina, aonde começa o direito do outro”.

Hoje, tenho as minhas dúvidas; Já não sei se lutei pela causa errada e a “democracia” não é o que um dia aprendi a admirar, ou vivemos em um engodo, uma ditadura do tipo:

 “Minha fia pode casá com quem quisé, des´que seja co José”.

Devido ao meu campo de atuação, indissoluvelmente ligado a intensa e necessária exposição social, venho sofrendo, direta e indiretamente, retaliações por atos, ações e posturas que - “democraticamente” - tenho o direito de ter, mas que são, quase sempre, devidas a homônimos, os quais como é do seu direito, expressam livremente as suas crenças e opiniões. Opiniões essas que vem causando certa animosidade, estranheza e até mesmo questionamentos de diversas ordens, por parte de pessoas ligadas ao meu meio.
Como artista, costumo pesquisar na internet possíveis citações do meu nome para saber da abrangência do meu trabalho, e o que tenho constatado:
1.      Nem sempre meu nome e o prenome vêm citados clara e corretamente. Ou são substituídos por abreviaturas, ou grafados incorretamente, ou o que é ainda pior, incluído na vala comum do “e outros”.
2.      O mesmo acontece com os respectivos homônimos, o que leva os leitores a não saber diferenciar “quem é quem”.
3.      A situação fica ainda mais complicada quando nos deparamos com nada menos que meia centena de homônimos, que, por incúria dos responsáveis pelas publicações, tornam-se parte integrante do problema que a todos nós confunde e incomoda.

Em vista disso e para dirimir qualquer dúvida a respeito, esclareço que:
·         Meu nome completo é: Sérgio Oliveira de Vasconcellos Corrêa.
·         O nome artístico que adoto é: Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
·         Que as únicas formas abreviadas aceitáveis são:
                   “de Vasconcellos-Corrêa” e “S. de Vasconcellos-Corrêa”

Observação:  O hífem que passei a usar no nome artístico objetiva evitar que se faça a separação do ramo familiar masculino que, desde a segunda geração (1770) se mantém duplo e imutável, sendo reforçado pela preposição “de” cuja presença denuncia tratar-se de uma só família. 
Logo a família “de Vasconcellos-Corrêa”.

Patriarca:    Joaquim Inácio Correia de Vasconcellos (c.1740)    pai de:
1ª geração: António Narciso de Vasconcellos Correia (1770)      pai de:
2ª geração: Guilherme Xavier de Vasconcellos Corrêa (1779)    pai de:
3ª geração: Guilherme Xavier de Vasconcellos Corrêa (1860)    pai de:
4ª geração: António Freire de Andrade de Vasconcellos Corrêa (1885) pai de:
5ª geração: José Guilherme Lage de Vasconcellos Corrêa (1910) meu pai                                                                                                           
6ª geração: Sérgio Oliveira de Vasconcellos Corrêa (1934)         pai de:
7ª geração: Paulo Sérgio Mazzucato de Vasconcellos Corrêa (1957) pai de:                 
8ª geração: Andy Villela de Vasconcellos Corrêa (1995)

Caso o leitor ainda se encontre entre aqueles que alimentam dúvidas sobre a identidade de alguém com o mesmo nome, aconselho que verifique:
1.    Os locais e datas de nascimento das personagens sobre as quais está em dúvida.
2.    As respectivas filiações
3.    Os nomes das(os) cônjuges.
4.    As profissões e as atividades desenvolvidas por elas.
5.    Outras.

Para provar que não sou nenhum dos “Sérgios de Vasconcellos” que podem ser encontrados na Internet ou em qualquer outro veículo de informação, além dos esclarecimentos já fornecidos acrescento:

Sou:
·   Professor Doutor em música e musicologia.
·   Compositor de Música Erudita, Membro Efetivo (eleito) da Academia
   Brasileira de Música (Cadeira nº 20).
·   Pianista.
·   Regente Coral e Diretor de Orquestra.
·   Jornalista (Folha de S. Paulo/Folha Ilustrada/O Estado de São Paulo)
   (com o pseudônimo de José Guilherme).
·   Escritor e poeta.
·   Folclorista.
·   Pintor.

Se encontrarem outros nomes parecidos com o meu, procurem saber de quem se trata. Na certa, não sou eu.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012



Por quê?

Não sou um blogueiro constante, como os amigos já puderam perceber.
Escrevo ao sabor do vento, principalmente quando o vento começa a me incomodar, e ultimamente, não sei se por rabugice, ou por me sentir traído em todas as causas que abracei, comecei a sentir vontade de colocar em letra de forma, as minhas discordâncias com o estado de descalabro que reina em nosso país.
Não vou me deter em assuntos políticos porque a política, hoje, dá nojo.
A saúde, a segurança, o ensino, o padrão de honestidade e a decência da maioria dos cidadãos brasileiros como tudo o mais que vemos e sentimos por aí, são de tirar o fôlego de qualquer um.
Para piorar a situação, o que irrita mesmo é a hipocrisia, o falso moralismo, a “cara de pau”, de muitos que se autoproclamam politicamente corretos e vem a público em defesa do indefensável.
Não vou perder tempo com as mazelas, que estamos cansados de ver e ouvir pela televisão, nem com as que são publicadas pelos jornais. Essas todos já se deram conta delas. Quero é chamar a atenção para as pequenas grandes coisas, que o correcorre diário não permite à maioria, parar para pensar.
Vou apenas citar, sem comentar. Deixo a ponderação para quem quiser pensar no assunto.
São perguntas para as quais gostaria de obter respostas.

POR QUÊ:
As emissoras de televisão, indistintamente, sentem o mórbido prazer de só mostrar desgraças?
POR QUÊ:
Na falta de infortúnios caseiros, vão procurar catástrofes e calamidades do outro lado do mundo?
POR QUÊ:
Ao anunciar provas automobilísticas, colocam sempre em destaque os acidentes que aconteceram em corridas anteriores?
POR QUÊ:
A fala padrão, da maioria dos apresentadores e atores, em qualquer programa, seja nas novelas, nos noticiários, programas de auditório, nos programas humorísticos e nos intervalos promocionais, é sempre aos berros?
POR QUÊ:
A maioria dos jornais, revistas e jornalistas, que corretamente se posicionam contra a censura, usarem dela, diariamente, deixando de noticiar fatos e notícias de indiscutível relevância cultural?
POR QUÊ:
Fazer pesquisas sobre: “a pena de morte”; “o maior dos brasileiros”; “a homofobia”; “o aborto”; “como melhorar o ensino”; “a saúde”; “a segurança” e tantas outras, se a formação sociocultural que oferecem ao povo é abaixo da crítica, ou seja, nula?
POR QUÊ:
Os jornais e revistas censuram, de modo descarado, o trabalho dos poetas, dos escritores, dos músicos eruditos, dos pintores e escultores, só lhes reservando espaço no obituário, ou então, para aqueles que, mesmo de qualidade inferior, venham apaniguados por patrocinadores?
POR QUÊ:
Os locutores, cronistas esportivos e comentaristas, como também as emissoras à qual pertencem, deixam perceber através das suas posturas qual o clube do “seu coração” usando de dois pesos e duas medidas?


POR QUÊ:
Esses mesmos senhores demonstram, publicamente, a sua falta de educação cívica, não fechando a matraca enquanto é executado o Hino Nacional?
POR QUÊ:
Tanta falta de compostura, de respeito, de educação e de ética, por parte de quem se diz defensor das liberdades individuais?

Alguém pode responder.  Sem sofismar?


sábado, 26 de maio de 2012

SERIA CÔMICO SE NÃO FOSSE TRÁGICO

Seria cômico se não fosse trágico. (24 de maio de 2012) No último dia 22 de maio (terça feira) fomos à Sala São Paulo para ouvir o pianista chinês Lang Lang, cuja carreira acompanhamos através de vídeos e gravações, o qual, a cada novo contato, mais e mais nos surpreende com a sua sensibilidade incomum e maestria técnica.

A comicidade fica por conta de, ao ler crítica estampada no O Estado de São Paulo sobre o artista, sermos levados a pensar que fomos ouvir outro pianista, em outra sala de concertos, em um lugar qualquer da nossa imaginação ou - o que é pior – que, como a grande maioria daqueles que o vem aplaudindo em todo o mundo, não passamos de idiotas, neófitos em música, nada mais do que seres ingênuos manipulados pela indústria cultural.

Do alto da sua postura auto-suficiente, o crítico estampa já no título da sua diatribe que: “Falta emoção a Lang Lang”, levando-nos a pensar que o escriba não sabe muito bem o significado da palavra “emoção”, ou seja: “Estado de ânimo despertado por sentimento estético”. É possível que a sensibilidade do crítico não tenha sido despertada pela arte de Lang Lang, com o que concordo, mas, daí a generalizar vai uma distância muito grande, e não se pode imaginar que o jornalista tenha a pretensão de querer dizer que a sua sensibilidade é mais aguçada do que a da grande maioria daqueles que admiram o jovem chinês, isso cheira a egocentrismo.

Ao mencionar a “interpretação” do pianista, lança mão de uma frase de Pablo Casals que, citada fora do contexto em que foi dita, pode levar o leitor a imaginar que o célebre violoncelista era outro débil mental igual a nós; não percebe que assim fazendo está revelando mais uma faceta da sua doentia megalomania. Já que aprecia tanto citações, porque não pensa nas palavras de Claude Debussy: “Música não é o que está escrito, mas o que está por traz do que está escrito”.

Na falta de argumentos sólidos recorre a comparações e convida o leitor a ouvir interpretações de outros pianistas, como se isso fosse o parâmetro correto de julgamento. Talvez o seja para o crítico, mas não para aqueles cujo bom senso se apóia exatamente na riqueza própria da diversidade.

Sei que não é fácil expor com palavras, conceitos abstratos - como é o caso da interpretação – por essa razão, sugiro ao senhor João Marcos Coelho que se disponha a exemplificar o seu conceito de interpretação, subindo ao palco de um teatro qualquer e oferecendo ao público a “sua” interpretação de cada uma das peças apresentadas pelo jovem pianista asiático, só assim poderemos aquilatar a pertinência das suas observações. Criticar é fácil, o difícil é realizar, com os mesmos recursos do criticado, aquilo que foi considerado inadequado.

Uma coisa não consigo compreender. Como pode um jornal como “O Estado de São Paulo”, que já teve em seu corpo editorial críticos de música do porte de um Caldeira Filho e após a aposentadoria deste, seu discípulo José Guilherme – por ele indicado – abrigar em seu seio jornalista preconceituoso que, como “dono absoluto da verdade”, deixa claro que a grande maioria dos que dele discorda não passa de “1,3 bilhão e trezentos milhões de pessoas e um universo de dezenas de milhões de aprendizes de pianistas – (não seria de piano?) . . . dispostos a incensar um engodo que: “pouco tem a ver com música”, ou seja, somos um bilhão, trezentos milhões de dezenas de milhões de aprendizes de pianistas” débeis mentais, sem sensibilidade e cultura à altura da sua sapiência. Faça-me o favor!!! Isso depõe contra o jornal e só serve para reforçar o conceito generalizado de que: Crítico nada mais é do que um artista que não deu certo. 

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

Vídeo do Lang Lang disponibilizado no YouTube

sábado, 14 de abril de 2012

"Eu te batizo com o nome de peixe"


“Eu te batizo com o nome de peixe”
(14 de abril de 2012)

       Tudo no Brasil acontece com tal rapidez que o hoje, não é mais hoje, é: anteontem. 
       As coisas se sucedem com tal velocidade que, quando nos damos conta delas, já era. 
       As lembranças do passado, antes vistas como algo para justificar a decrepitude, são agora, as válvulas de escape encontradas para procurar entender o que está acontecendo; Se é que dá para entender. O “saudosismo” entra aqui para mostrar que a pilantragem sempre existiu e que nós, os patetas, sempre a reverenciamos fazendo o sinal da cruz. Porque digo isso? Vou explicar:
       Já lá se vão oitenta anos, o pároco da igreja de uma cidadezinha do interior - acostumado a “visitar” o seu rebanho diariamente, um dia na casa de cada ovelha – ao chegar a Sexta-Feira Santa, chegou de supetão à residência de uma das suas fieis para almoçar. A fiel - que não era tão fiel assim - havia esquecido que a data não era propícia à carne vermelha e havia feito um apetitoso assado. À chegada do padre, constrangida e contrita, a “filha de Maria” não sabia o que dizer para se desculpar e, alegando mil razões, prontificou-se a fazer outro almoço, deixando a apetecível carne assada para o dia seguinte. O padre, condescendente, do alto da sua imaculada postura eclesiástica, não se fez de rogado e disse:

       - Minha filha, não se preocupe, eu resolvo a questão.

       E assim o fez, dirigiu-se à mesa, benzeu o assado e abençoou-o dizendo:

      - Eu te batizo com o nome de peixe.

      Embora não o pareça, esta história é verídica, aconteceu com uma das nossas avós.
      Conto-a aqui para mostrar que, em tempos idos, a malandragem também corria solta; os espertalhões aproveitavam-se da credulidade, da boa fé e da honestidade do “Zé Povinho” para tirar suas vantagens, no entanto, comparadas com as atuais, afiguram-se como “desonestidades inocentes”, se assim as podemos classificar.
      Hoje passados oitenta anos, “Pastores” enriquecem à custa da credulidade alheia; Políticos acima de qualquer suspeita são flagrados em situações espúrias, cometendo delitos que envergonham aqueles que neles confiaram; Pode um País que se diz “moderno”, com pretensão a “quinta potência mundial”, apoiar-se, como ainda o faz, em leis caducas da década de quarenta?; E os defensores dos “direitos humanos”, que hipocritamente só defendem os “diretos dos desumanos”, digo hipocritamente, porque não acredito que esses abnegados defensores dos pobres delinquentes - vítimas da sociedade - se disponham a adotar, por exemplo, um “estuprador”, levando-o para ser reeducado em sua casa, junto da sua mulher e filhas.
      Os desmandos em todas as esferas políticas da Nação chegaram a tal ponto, que o Senador Pedro Simon, pediu da tribuna, a ação efetiva das redes sociais (internet) para agirem em prol da decência política no país. A resposta a esse pedido, se não foi anterior à solicitação do ilustre Senador, serve para demonstrar que o raciocínio do ilustre homem público está correto.
        Eis na íntegra o E-Mail que recebi logo após ver e ouvir a sessão desta sexta-feira do Senado Federal:

Manifesto

       Peço a cada destinatário encaminhar este E-Mail para um mínimo de vinte pessoas da sua lista de endereços e, por sua vez, pedir a cada um deles que faça o mesmo. Em três dias a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem.

Lei de Reforma do Congresso de 2012 (Emenda da Constituição do Brasil)

1. O Congressista receberá salário somente durante o mandato e não terá direito a aposentadoria     diferenciada em decorrência dele.

2. O Congresso passa a contribuir para o INSS. Todo o fundo (passado, presente e futuro) de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS e o Congressista passa a participar dos benefícios dentro do regime, exatamente como todos os brasileiros. O Fundo não poderá ser usado para qualquer outra finalidade.

3. O Congressista deve pagar o seu plano de aposentadoria, do mesmo modo que todos os brasileiros.

4. O Congresso deixa de votar o seu próprio aumento de salário, que será objeto de plebiscito.

5. O Congressista perde o seu seguro atual de saúde e participa do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

6. O Congressista esta sujeito às mesmas Leis vigentes para o povo brasileiro.

7. Servir no Congresso é uma HONRA, não uma carreira. Todos os parlamentares terão direito a um mandato e a uma recondução, caso sejam reeleitos, findos os quais, devem voltar a vida de cidadãos comuns.

8. Em todas as instâncias os votos serão obrigatoriamente abertos, permitindo aos eleitores fiscalizar o real desempenho dos Congressistas.

9. Serão permitidos apenas TRÊS partidos políticos, acabando de vez com os conchavos proporcionados pelos partidos nanicos.

10. Político comprovadamente corrupto perderá o direito, para sempre, de continuar na vida pública.

11.Outras sugestões poderão ser juntadas a estas, para demonstrar que não precisamos de quem nos represente, que sabemos o que queremos e o que não queremos, para o bem da nossa Pátria.

    É chegada a hora da mobilização geral para acabar com a impunidade dos corruptos eleitos. Só mobilizados poderemos consertar o Congresso. Se estiver de acordo participe e sugira novas medidas.
       O autor do E-mail, ao pedir que o mesmo seja enviado a outras vinte pessoas, o faz no sentido de não deixar que a ideia se perca no vazio.
       As sugestões são singelas? Sim, sem dúvida, mas é assim que se começa.
       Pense comigo: Existem indivíduos justos e injustos; Honestos e desonestos; Corruptos e incorruptíveis. Não cabe na cabeça de ninguém que se possa encontrar alguém “mais ou menos, justo” e “mais ou menos, honesto” ou “mais ou menos, corrupto”. Do mesmo modo é inconcebível pensar que existam os “mais ou menos patriotas”. Ou se é patriota ou não se é. Assim sendo conclamo, aqueles que são visceralmente brasileiros, que sigam a sugestão do Senador Pedro Simon, e ajam como o amigo que me enviou o citado E-mail para que possamos, no menor espaço de tempo possível, viver em um país que nos orgulhe de aqui havermos nascido.

domingo, 8 de abril de 2012

Manifestem-se os que são do ramo




Sinceramente, um dos campos que eu gostaria de dominar, ou pelo menos, ter a formação necessária para poder abordar e discorrer é o da psicologia e da psicanálise, no entanto, apesar da atração que sinto pela área, sei que não devo me atrever a julgar atitudes e comportamentos que estão além da minha compreensão. Assim, só me resta, fazer constatações, expor atitudes compatíveis e incompatíveis com a minha maneira de pensar e deixar aos profissionais a palavra final sobre o assunto que vou abordar. Sei, por exemplo, que é dado o nome de “complexo de inferioridade”, a sensação de que se é “inferior” - em algum aspecto - a alguém e que esse “sentimento imaginário” geralmente é inconsciente. No geral, o indivíduo que o possui é levado a querer demonstrar “superioridade” através de posturas que acabam por reforçar ainda mais as falsas idéias que habitam o seu subconsciente sobre a importância, a qualidade e o valor que tem - ou julga ter - configurando uma fuga deliberada do que julga ser o seu “status quo”. Acontece que esse “complexo de inferioridade” assume proporções mais preocupantes quando deixa de ser individual para tornar-se coletivo. É o que alguns consideram como “inferioridade cultural”. Esse complexo não nasce do nada, ele se intensifica aos poucos, por meio de insinuações, comparações - pertinentes ou não – e endeusamentos que acabam por levar a objetivos subjetivos que acabam por reforçar, ainda mais, o grau de negativismo, responsável pelo sentimento de inferioridade. Algumas causas podem ser facilmente apontadas, tais como: o costume arraigado de alguns pais, que usam a “comparação” para ensinar aos filhos o que é “certo” e o que é “errado”, atribuindo aos seus uma das duas posturas; Os preconceitos de ordem social relacionada à supremacia “intelectual”, “religiosa”, “racial”, “sexual” e até mesmo “econômica” de um povo sobre os demais; A “necessidade de auto-afirmação”, que procura na aceitação alheia os louros que venham coroar o seu egocêntrico “complexo de superioridade”. Essas idéias me vêm à cabeça quando começo a comparar o que nós, brasileiros, dizemos e fazemos, vejamos: Houve um plebiscito para escolher qual o regime político da nossa preferência. Rejeitamos a “Monarquia”, no entanto, somos REIS em tudo. Rei Momo; Rei da Voz; Rei Pelé; Rei Roberto Carlos; Rei do Baião; As Escolas de Samba são verdadeiras cortes; Império Serrano, Império do Papagaio (que desfilou em Helsinque na Suécia em 2004), Império do Povo (Macapá), Imperatriz Leopoldinense e outras. Não nos contentamos em “ser bons”, somos sempre “Os Maiores”. . . “do Mundo”. Em outros aspectos, a grande maioria se diz orgulhosa de ser “brasileira”, no entanto não respeita o BRASIL. Um dos símbolos mais representativos que temos é o nosso HINO NACIONAL, que dizem ser difícil - por ser muito longo e por ter muitas palavras incompreensíveis - no entanto sabem de cor qualquer letra, de qualquer música, em idiomas que não conhecem e cujo significado desconhecem. O pior, não o respeitam - por gestos e atitudes - quando é apresentado e vejam, não estou me referindo apenas ao povo, mas, também aos que o dirigem. Se fosse obrigatório saber cantá-lo para tomar posse em cargos públicos, do mais simples funcionário ao presidente da República, teríamos vagas sobrando. Analisando esses fatos - que são uma constante entre nós - sem pretender estabelecer quaisquer confrontos ou comparações, mas, apenas citar realizações recentes, chamo à atenção do leitor para que reflita sobre o tema deste artigo. • A Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí, sob a direção do Maestro alemão Felix Krieger apresentou, no Teatro “Coliseu”, em Santos, um concerto inteiramente dedicado à música alemã, com obras de Christoph Willibald Gluck, Georg Friederich Handel e Wofgang Amadeus Mozart. As três obras fazem parte do projeto pedagógico-artístico “Música Orquestral Alemã” de estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo Conservatório de Tatuí. O Projeto reverencia o compositor e pianista santista José Antonio de Almeida Prado. Seria cômico se não fosse deprimente. Não pensem que vou recriminar o Maestro Felix Krieger, muito pelo contrário, o jovem artista demonstrou exatamente o que lhe competia fazer, apresentar os autores da sua terra, que hoje, devido a outros como ele, são compositores do mundo. Ninguém em sã consciência pode deixar de reconhecer o valor da música e dos músicos alemães, do passado e do presente. Nada a censurar, também, quanto ao fato da Prefeitura de Santos abrir as portas do seu belíssimo Teatro “Coliseu” para acolher os visitantes e oferecer música de qualidade aos seus munícipes. O que causa estranheza é a nota do jornal “A Tribuna” - Evidentemente não culpo o jornal, se a alguém cabe culpa é ao redator - Geralmente o que se vê? Quando se trata de autores brasileiros, economia de letras para poupar espaço; Villa-Lobos; Mignone; Guarnieri; Gnatalli; Santoro, apenas os nomes de família. Aos estrangeiros pelo contrário, só falta agregar títulos e apelidos. Agora, o fato de o repertório fazer parte de um “Projeto Artístico-Pedagógico” direcionado à “Música Orquestral Alemã”, de “Estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo Conservatório de Tatuí”, é bastante sintomático. Não seria mais pertinente um projeto direcionado à “Música Orquestral Brasileira” que permitisse aos jovens interpretes (instrumentistas e regentes) do país, conhecer e apreciar a música dos compositores brasileiros? No entanto, o absurdo dos absurdos é constatar que o projeto diz reverenciar um autor brasileiro – José Antonio Rezende de Almeida Prado – sem, no entanto, apresentar nenhuma obra do talentoso e inesquecível compositor santista. Isso, para mim, configura um acinte à memória do artista e a todos os compositores brasileiros. Tenho a certeza, absoluta, que já estou sendo criticado, pois, no Brasil, aquele que propugna por maior visibilidade para os seus artistas é acoimado de xenófobo, enquanto o estrangeiro é patriota. Mas, não pensem que este foi o único caso da semana, não, a TV Cultura de São Paulo, apresentou no final da semana, um belíssimo recital do extraordinário Nelson Freire, gravado no Festival de Verbier (Suíça - 2007) no qual o pianista apresentou obras de Bach, Beethoven, Debussy, Albeniz e Schumann. Vendo isso, como não louvar a atitude do jovem pianista chinês Lang Lang, que ao fazer a sua estréia no Carnegie Hall (NY) apresentou, na primeira parte do programa, obras de: Schumann, Haydn, Schubert e na segunda, vestido a caráter - como chinês que é - obras de seu conterrâneo, Dun Tan, além de uma extraordinária peça folclórica, em duo com seu pai Guo-Ren Lang executando um instrumento típico chinês. Vamos pensar juntos: Sofremos ou não do “complexo de inferioridade”? Vamos, ou não, lutar pela construção da nossa identidade cultural? Manifestem-se os que são do ramo.

sábado, 31 de março de 2012

DEI UM NÓ NO CÉREBRO


DEI   UM   NÓ   NO   CÉREBRO
(29-03-2012)

De poucos anos pra cá, venho acumulando dúvidas e incertezas, no mínimo preocupantes.
São dúvidas, sobre o que aprendi como: o que é CERTO, e o que é ERRADO.
Incertezas, sobre o que me ensinaram ser: o JUSTO e o INJUSTO.
Preocupantes, porque o CERTO não é mais CERTO, o CERTO agora é o ERRADO e o JUSTO, INJUSTO ficou.
A preocupação vem, exatamente, do fato de que tudo o que é INJUSTO é aceito tranquilamente, como JUSTO.
Já não sei se opinar é CERTO ou ERRADO. Tenho a impressão que é ERRADO, pois, antes era CERTO.
Tenho medo de clamar por JUSTIÇA e . . . Acabar INJUSTIÇADO.   
Sempre ouvi dizer que “A justiça é cega”. Acho que começo a entender por que.
Passei minha vida ensinando, CERTO; ERRADO.
Hoje tenho dúvidas sobre, se tudo o que preguei estava ERRADO ou CERTO.
Nunca emiti opiniões em assuntos que não sabia, por estar convicto de que não era JUSTO. Hoje, qualquer ignorante, mesmo sem saber por que o faz, emite pareceres e clama por JUSTIÇA.
Ouço dizer, constantemente, que o nível de aprendizado dos alunos da rede pública é fraco – CERTO - e os que o afirmam apontam soluções CERTAS. ERRADO.
Sempre soube que aos educadores cabe educar – CERTO - e que são eles que ditam as normas do ensino - ERRADO. São os técnicos de gabinete que, na sua crassa ignorância, confundem EDUCAR com ENSINAR. Para eles as disciplinas ESSENCIAIS são o CERTO e as demais, as SUPÉRFLUAS, o ERRADO. Será isso JUSTO ou INJUSTO?
A grande maioria acha que cabe à escola “ensinar”, o que é CERTO, no entanto, essa mesma maioria rebela-se quando as crianças são “ensinadas” a fazer o que não fazem em casa, ou seja, limpar o que sujaram, seria o CERTO, mas dizem que é ERRADO.
Quando um professor é agredido, física e moralmente pelos alunos, não lhe resta alternativa a não ser, deixar-se espezinhar, para não ser admoestado e punido, CERTO? Se tomar atitudes como: enviar o aluno à direção da escola para que a mesma possa tomar as medidas corretivas cabíveis, convenientes e educativas como deveria acontecer, está sujeito a ser demitido, processado, exonerado – ERRADO - o CERTO é ficar de bico calado para não sofrer sanções.
Um árbitro de futebol pode “expulsar” técnico e jogadores que não se portem de maneira conveniente, CERTO? No entanto se o professor tomar essa atitude, o “expulso” será ele, ERRADO? Não, a hipocrisia que reina entre nós diz que isso está CERTO.
Está na moda denunciar a violência física ou psicológica sobre, ou entre os alunos, a qual recebe o nome importado de “Bullying”, CERTO? E quando essa violência é direcionada pelos alunos contra professores, ou entre os professores “efetivos” contra os “eventuais” que nome recebe?“Intimidating”? Sabemos que muitos jovens chegaram ao suicídio devido a essa prática perniciosa e quantos professores estão aposentados pelo Departamento Médico dos Estados devido ao “Intimidating”, ou abandonaram o magistério ocasionando a falta de qualidade e quantidade de que hoje nos ressentimos? O que é CERTO e o que é ERRADO. Por favor, aquele que souber dizer, com JUSTEZA, o que CERTO e o que é ERRADO, que venha em meu socorro. Não acho JUSTO ficar dando “tratos à bola” sem saber por que os JUSTOS estão sempre ERRADOS e os INJUSTOS, CERTOS, ou os CERTOS estão CERTOS quando estão ERRADOS e os JUSTOS são INJUSTOS quando se dizem JUSTOS. Socorro. Acho que estou sendo vítima de “Bullying”, ou será “Intimidating”, “Intimidating”, ou “Bullying”. Qual é o CERTO? Qual é o ERRADO?. É JUSTO fazer isso com um velho professor?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Para ser Professor é preciso . . . Boa Sorte

Ah! O velho Professor Raymundo.
O Salário do Professor hó ...... R$%%%%%%%%%%%
Pois é!
Eu havia chegado à conclusão que o melhor seria pendurar as chuteiras.
Tentei. No entanto, ao fazer as contas; ao perceber que joguei fora os melhores anos da minha vida tentando colaborar, no sentido de deixar um Brasil melhor para os meus filhos, netos e agora bisnetos; que dei socos em ponta de faca, para ter orgulho do meu país, o que vejo?
Um povo bruto, mal educado, perverso. Orgulhoso de ser corrupto. Desrespeitoso; Agressivo; Antiético; Grosseiro; Inculto; Separatista . . . Sim, Separatista, pois a maioria não se diz Brasileiro e sim

Afrodescendente
Amazonense
Carioca
Catarinense
Gaúcho
Mineiro
Nordestino
Paranaense
Paulista
Quilombola

Um povo que Mata; Rouba; Grita; Afronta; Corrompe e Ofende, sempre com um sorriso nos lábios.
Um povo que não respeita idade, hierarquia, sabedoria é um povo que não se respeita. É um povo que não pensa que amanhã – se não for morto antes - também terá idade. Se for íntegro e trabalhador poderá vir a ser, hierarquicamente, respeitável e se estudar, consequentemente terá toda a probabilidade de se tornar mais sábio que a maioria.
Passei minha vida em salas de aula, respeitando para ser respeitado, tendo na mente o exemplo japonês que permite apenas ao Professor, o não inclinar-se perante o Imperador, pelo simples fato de que, sem o Professor não haveria o Imperador. No entanto, o que vemos por aqui? O desrespeito total. Não só os alunos vilipendiam os educadores como também os governantes o fazem.
Acredito que não seja necessário dizer que sempre fui um incondicional admirador do Senador Paulo Paim que, há anos, vem apresentando projetos para tornar minimamente respeitável a atividade dos mestres. Sabemos que o Senador é do partido do Governo e o que sempre vi? Os “líderes” do próprio governo, fazendo pressão para que os partidos que o apóiam rejeitem os projetos do Senador. Entra ano, sai ano e a mesmice continua. Respeito demais o Senador para não pensar em uma plataforma eleitoral e então surgem as perguntas? Porque o Senador continua nessa legenda? A rejeição constante aos seus projetos não é uma atenuante à infidelidade partidária? Até quando os Senhores Senadores vão persistir na atitude mesquinha de negar aos Mestres – acredito que, em um passado não tão remoto já os tiveram, até porque os Imperadores os tiveram – como dizia: negar aos Mestres, um respaldo, que mais do que um direito configura um sinal de respeito a quem fez deles o que hoje são.
Apenas a título de sugestão, conclamo a todos os políticos deste País, que traz na bandeira o dístico “Ordem e Progresso”, que desçam dos seus palanques, esqueçam por uma hora dos privilégios que desfrutam e se encaminhem a uma escola qualquer, entrem em uma sala de aulas e sem dizer quem são, apresentando-se apenas como professores, tentem ensinar alguma coisa. 
Boa sorte.

segunda-feira, 21 de março de 2011

CARCARÁ PEGA, MATA E COME


Mary Beth. . . Epa, agora fui levado pela conversa que ouvi na praia, entre uma turista e uma vendedora ambulante conterrânea da cantora baiana.

A conversa que presenciei, teve o condão de me levar a uma triste conclusão, a de que: Eu deixei o Brasil, ou, o Brasil me deixou. Explico melhor.

Depois de uma breve troca de palavras sobre a qualidade e o preço do artesanato oferecido, a turista perguntou à jovem qual era o seu nome, ao que esta respondeu num átimo, com a sua deliciosa pronúncia nordestina, MARIRRELPI.

-“Como?” Perguntou a turista.

-“MARIRRELPI” respondeu a vendedora.

Ante a cara de espanto da turista a jovem explicou:

-“Óxente, não é preciso esse espanto. O meu nome é Maria do Socorro, que é muito feio, por isso, agora eu digo que me chamo de MARIRRELPI. Em “ingreis” fica muito mais bonito.

Assim são os brasileiros de hoje. Só são brasileiros quando o assunto é Futebol ou Carnaval, no mais, trazem entranhada dentro de si, uma incomensurável vergonha de revelar a sua origem, e o que é pior, desdenham de tudo e de todos os que não se envergonham disso.

Já discuti com um desses apátridas, que defendia a tese de que não foi Santos Dumont o inventor do avião e sim os irmãos Wright.

Tenho participado de acirradas discussões sobre problemas educacionais e sempre ouço palavras depreciativas ao modelo de educação musical proposto por Villa-Lobos (o CANTO ORFEÔNICO), jogadas ao vento por indivíduos que jamais tiveram em mãos o projeto original e se baseiam apenas no que dele fizeram os maus professores, ou o que é pior, para poder enaltecer apenas os métodos: “Orff” (alemão), “Dalcroze” (Suíço), “Kodaly” (Húngaro), “Suzuki” (Japonês), Willems (Belga) de quem, por sinal, fui Auxiliar Pedagógico, quando do curso que o Mestre realizou em São Paulo.

Recentemente em Simpósio realizado na “Sorbonne”, a musicóloga Maria Helena Pinto da Silva Elias, de Belém do Pará, Pesquisadora Associada ao “Observatoire Musical Français” relatou: “A observação prática pianística (leia-se musical) no Brasil revela uma relativa ausência da música atual e uma frágil presença da produção brasileira...”. Mais adiante: “Impõe-se uma reação, pois a escassa divulgação da produção musical brasileira em geral tem sérias consequências além das nossas fronteiras”. Em outro trecho diz: “O país difunde e promove prioritariamente a música popular que, na sua diversidade, não deixa de ter exemplos interessantes e atraentes. Mas, a meu ver, a música erudita brasileira também os possui. Por isso talvez seja a hora de ajudá-la um pouco mais”.

Como se pode observar, enquanto o estadounidense é AMERICANO, o Francês, FRANCÊS, o Alemão, ALEMÃO e por ai vai; O brasileiro é, cada vez mais, menos brasileiro.

Pensando na última frase da musicóloga paraense, volto a matutar: Fui eu que deixei o Brasil, ou foi o Brasil que me deixou?

Você deve estar pensando:

- Mas aonde ele quer chegar?”

Eu digo.

De que valeu: Haver trabalhado durante 47 anos como educador; Vencer mais de uma dezena de prêmios em concursos de composição (erudita); Ser escolhido doze vezes como “Melhor do Ano” pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); ser eleito Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música; estar associado a entidades “defensoras” dos Direitos Autorais desde 1956 e não haver recebido, desde essa época, R$ 0,01 (um centavo) pelas milhares de execuções de minhas obras no Brasil e no Exterior?

Por quê, para receber um misero cachê referente a um recital de piano com obras de minha autoria, patrocinado pela prefeitura de São Paulo, tive que pagar “direitos autorais a mim mesmo” e até hoje não recebi NADA do ECAD? E agora sou surpreendido pela notícia de que Mary Beth, ou seja, a nossa Maria Bethânia é agraciada com, nada mais, nada menos do que R$ 1,3 milhão, ou seja, um milhão e trezentos mil reais para fazer um “BLOG”?

Sinto-me como uma presa sendo devorada por aves de rapina, já que o lema parece ser: PEGA, MATA E COME.

Será que pelo meu trabalho e projeção nacional e internacional, não seria merecedor, também, de um prêmio no mínimo semelhante? Que devo fazer:
Mudar de país?
Afiliar-me ao bando de “Carcarás” que o invadiram, mesmo não tendo a intenção de tornar-me desonesto, imoral e desavergonhadamente capacho de culturas outras que não a nossa?
Mudar meu nome de Sérgio Vasconcellos-Corrêa para Serge Vasconselov Von qualquer coisa?

É, continuo sem saber se fui eu que deixei o Brasil, ou se foi o Brasil que me deixou?

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NOTÍCIAS

FITO lança o VII CONCURSO DE PIANO


O Conservatório de Música, Dança e Teatro “Villa-Lobos” de OSASCO, acaba de lançar o Regulamento do seu “VII Concurso de Piano”, que este ano homenageia o Compositor paulista Sérgio de Vasconcellos-Corrêa.
Informações – Regulamento – Inscrições, na Fundação Instituto Tecnológico de Osasco, rua Camélia, 26 – Jardim das Flores – Osasco – SP, ou pelo telefone: (11) 3652-3018 e 3652-3043.



Madrigal ARS VIVA de Santos, sob a direção do Maestro Roberto Martins, apresenta
a AVE MARIA do compositor Sérgio de Vasconcellos-Corrêa.

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A professora, compositora e pianista Dra. Sílvia Berg, organizadora do “I Encontro Internacional de Educadores em Música” (11 a 14 de abril de 2011) do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras – USP - de Ribeirão Preto (FFCLRP, USP Ribeirão Preto), chefiado pelo professor Dr. Rubens Ricciardi, acaba de nos enviar o honroso convite para proferir a Palestra de Abertura do referido “Encontro”, a ser realizada em 11 de abril p. f. , quando se dará a apresentação do Projeto MÚSICA-CRIANÇA-FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA, a ser iniciado em ainda em 2011.
O “Encontro” prevê, além da Abertura Oficial, Recital de Piano com obras do palestrante e de outros compositores brasileiros, Oficinas, Palestra-diálogo entre o compositor, o interprete, alunos e o público, culminando com a apresentação do projeto MÚSICA-CRIANÇA.
Maiores informações pelos telefones: (55 16) 3602-3136 - (55 16) 3602-3169 E (55 16) 3602-4821 (fax), ou diretamente no Departamento de Música da FFCLRP – Universidade de São Paulo – Campus de Ribeirão Preto (SP) AV. Bandeirantes, 3.900 – Ribeirão Preto – SP- CEP: 14.040-900.
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CARTA ABERTA

Prezado Ouvidor

É estarrecedora a situação da Cultura no Brasil.
Relembrando a fala do nosso ex-presidente: "Como nunca antes neste País", a cada dia que passa mais nos é dado a perceber que: a incompetência, a ignorância, a falta de sensibilidade, o desconhecimento dos mais rudimentares preceitos de boa educação e o desrespeito àqueles que lutam por um país mais culto, menos desigual, mais civilizado e menos cafajeste, são coisas que vão ficando no passado.
É inconcebível que o País que teve um Imperador compositor de "Música Erudita" (D.Pedro I), um Presidente de Estado, compositor de "Música Erudita" (Carlos de Campos), o maior compositor de óperas das Américas (Antonio Carlos Gomes), um dos maiores compositores de "Música Erudita" do século XX (Heitor Villa-Lobos), se encontre hoje na triste e humilhante condição de ver, relegados aos mais baixos níveis de audiência, os programas teatrais, radiofônicos, televisivos e outros que tais, dedicados à música culta, por culpa única e exclusiva dos incompetentes que dirigem a cultura em nosso País. Para que criar emissoras de rádio e de TV com nomes pomposos - Radio Brasil, Rádio Ministério da Educação e Cultura, as diversas "Rádio Cultura", espalhadas por todo o território nacional se o que elas fazem, mal e porcamente, é divulgar a "A Grande Música", como o programa há anos dirigido por José Schiller na TV Brasil, sempre sujeito à boa vontade de programadores despreparados, incultos e preconceituosos?
Realmente, o Presidente Lula tem razão, "nunca antes neste País", tão poucos - despreparados - tem o poder de desrespeitar e de frustrar o prazer estético de significativa parcela (culta) da população.

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
Compositor membro da Academia Brasileira de Música.
Professor Doutor (Aposentado) - UNICAMP/ UNESP
Educador: Professor Efetivo da Secretaria da Educação – SP (1º lugar em Concurso Público de Títulos e Provas), Escola de Demonstração (USP) /Ginásios Vocacionais de São Paulo/Ginásios Estaduais Pluricurriculares Experimentais / SEFORT (Serviço de Ensino pelo Rádio e TV da Secret. da Educ. do Governo do Estado de São Paulo
Conselheiro Fundador do Museu da Imagem e do Som (SP).
Jornalista: “Folha de S

domingo, 30 de janeiro de 2011

A Música nas Escolas


A Música nas Escolas
Artigo extraído do livro Planejamento em Educação Musical
(1ª edição 1971) e (2ª edição 2011)

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
(30-01-2011)


Venho observando, as exposições feitas pelos mais diversos especialistas consultados a respeito da volta da Educação Musical às escolas, e chego à conclusão de que os objetivos que têm em mente vão: da simples proposta de inclusão de práticas recreativas com música, até a formação de orquestras.
O mais alarmante, é que nenhuma dessas propostas explora a música no seu aspecto formativo.
No geral deixam antever, quando muito, apenas “objetivos imediatos” - relacionados “ao fazer” musical - com ênfase na prática instrumental, postura meramente casuística, apoiada no engodo político da profissionalização, sem falar na manifesta, preconceituosa e antieducativa predileção por determinada vertente artística, seja ela popular ou erudita, atitude absolutamente contrária aos princípios que devem nortear qualquer ação educativa no âmbito da coletividade. Acredito, sinceramente, que a responsabilidade por tal indefinição é devida ao instrumento legal que trouxe a música de volta às escolas. Uma Lei que ao invés de privilegiar a educação na sua base, atende claramente a interesses outros, entre os quais, o dos músicos populares e eruditos sem formação pedagógica, o dos fabricantes de instrumentos musicais, o dos pedagogos sem formação musical, em detrimento dos verdadeiros educadores musicais, uma vez que o artigo que tratava da “formação dos professores” foi vetado, por decisão irresponsável do próprio Ministério da Educação. É assustador constatar, que aqueles a quem cabe cuidar da educação no país, não sabem a diferença que existe entre EDUCAR e ENSINAR.
O ensino musical, este sim deveria ser regulamentado, dando-se “status” de primeiro grau aos Conservatórios, de modo que esses estabelecimentos de ensino musical preparassem, durante um mínimo de seis anos, os estudantes de música interessados em ingressar no Curso Superior e não o absurdo de permitir - como ocorre atualmente - que estudantes com o mínimo de conhecimentos musicais, ingressem nas Faculdades de Música e três anos depois, saiam com diplomas de Bacharéis como: instrumentistas, regentes, compositores, musicólogos e professores, inclusive de Educação Musical, sem qualquer preparo no vasto e complexo mundo da Educação.
Espero que um pouco de bom senso ilumine a todos os que apoiaram essa Lei estapafúrdia e os faça lutar pela implantação do primeiro grau artístico sob a responsabilidade das escolas especializadas, deixando aos educadores a tarefa de educar, utilizando a música como instrumento.
Senhores políticos. Antes de criar projetos de Lei, consultem os que são do ramo, não os que circulam em sua órbita, interessadamente. Ponham a mão na consciência, pesquisem, ou se isso der muito trabalho, consultem as entidades de classe capacitadas a opinar a respeito, porém, não se esqueçam de solicitar a essas entidades, que procurem em seus quadros os nomes daqueles que já deram provas de proficiência no setor. De nada adianta a Academia Brasileira de Música, órgão consultivo do Governo Federal, indicar compositores, pianistas, historiadores e críticos de música que jamais entraram em uma sala de aulas de primeiro grau, para opinar a respeito do que não entendem, ou seja, EDUCAÇÃO MUSICAL.
É por isso que assim me manifesto a respeito dessa excrescência transformada em Lei, que agora entra em vigor, e discordo de todos os que a encamparam:

Non Credo

Não creio no político, todo poderoso,
Criador, para si, de um céu na terra,
Não creio nas excelências, nossos senhores,
Concebidos em conchavos, pelo poder de espíritos corruptos,
Nascidos da Ganância,
Padeceram sob a ditadura,
Crucificados, enaltecidos e perseguidos
Desceram aos porões do DOPS,
Subiram a rampa do planalto,
Estão sentados à esquerda da Democracia
De onde julgam os vivos e os mortos.

Não creio na justiça,
na sinceridade das palavras,
na comunhão das idéias,
na remissão dos males,
na ressurreição da honra
na honestidade,

Não Creio.

domingo, 29 de agosto de 2010

“Ser ou não ser, eis a questão”.
Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
Curioso o mundo da música.
Os que estão fora dele por certo hão de pensar que aqueles que a ela se dedicam, estão isentos de pensamentos mesquinhos, de atitudes de menosprezo, de soberba e outras tantas posturas não condizentes com o suposto grau de cultura e sensibilidade que ostentam e cultuam. Ledo engano. Os profissionais da música, como de resto todos os demais, nas mais diversas áreas do conhecimento humano, são antes de tudo seres com e sem talento, os quais um dia, por qualquer razão, se encaminharam ou foram encaminhados para exercer determinada função na sociedade.
Uma breve reflexão sobre o assunto permite de imediato, separar o joio do trigo, embora a contemporaneidade dificulte essa identificação. A constatação da verdadeira estatura de um indivíduo, não importa qual seja a sua área, só assume a verdadeira dimensão com o distanciamento no tempo. Os contemporâneos, com raríssimas exceções, estão por demais comprometidos com o momento presente, por conceitos, preceitos, preconceitos, invejas, ciumeiras etc... para poder julgar com isenção.
Van Gogh foi motivo de chacota até mesmo para os grandes pintores da sua época, ele mesmo não acreditando que seu talento fosse maior que o dos seus colegas, colocando-se sempre abaixo deles.
Bach, não foi levado sério – como compositor - nem pelos próprios filhos. Apenas os músicos realmente dignos desse título o respeitavam e admiravam. O mundo só tomou real conhecimento da sua obra perto de duzentos anos após a sua morte.
Exemplos semelhantes podem ser encontrados em qualquer atividade e em todas elas a dicotomia é uma constante. De um lado “os que fazem”, do outro os detratores e os incensadores, ambos acreditando ter a verdade a seu favor quando na realidade não passam de opinantes falíveis em suas apreciações por serem incapazes de realizar o mínimo daquilo que costumam criticar ou enaltecer. Aquele que realiza, por experiência própria sabe apreciar e respeitar - mesmo desgostando – as atuações dos outros, jamais emitindo publicamente juízos de valor, embora os tenha.
Muitas vezes somos apanhados de surpresa por manifestações de cabotinismo, principalmente por parte de atletas e artistas que aproveitam as lantejoulas lançadas por apreciadores dos seus dotes e passam ostentar posturas não condizentes com a sua própria maneira de ser.
Acompanhei atentamente as para-olimpíadas e procurei fixar-me muito mais nas reações dos participantes do que nas marcas por eles conquistadas. Pude perceber de modo claro a incontida alegria dos atletas, mesmo daqueles que não conseguiram o louro da vitória. Seus rostos demonstravam alegria. Era a demonstração “do puro prazer de participar”. A satisfação de poder fazer “o que mais gosta” e perceber emocionado o incentivo e o aplauso dos próprios adversários.
Entre os músicos, no entanto, o que se percebe é uma mal disfarçada condescendência, quando não permeada por ácidas críticas, condenatórias, destinadas a denegrir a imagem do artista que ousa se apresentar sem as condições ideais ao exercício da sua atividade. Foi no que aconteceu há pouco com o jogador Ronaldo("fenômenno"), taxado por grande parte dos comentaristas esportivos como acabado para o futebol devido à gordura e às contusões que sofreu. Essa atitude se repete agora quando das aparições do pianista João Carlos Martins em programas de televisão, ou mesmo em concertos, nos quais atua como regente e não deixa escapar a oportunidade de tocar o seu piano, ou seja, fazer "o que mais gosta de fazer". Esquecem-se os detratores que, tanto um como outro, mesmo sem as condições ideais, ainda são muito melhores do que a grande maioria daqueles que os criticam.
Semana passada, em concerto realizado na “Sala São Paulo”, com transmissão direta pela TV Cultu-ra, foi-nos dado presenciar atuações do maestro e pianista João Carlos Martins, o qual após dirigir a sua orquestra “ousou” tocar os movimentos lentos dos concertos em ré menor de Mozart e nº 2 de Rachmaninoff. Confesso que fiquei temeroso, no entanto, o que se ouviu não foi uma execução pianística, mas um extraordinário exemplo de superação e uma inesquecível aula de interpretação, daí o título deste comentário, tomado de empréstimo a William Shakespeare, “Ser ou não ser, eis a questão” que poderíamos atualizar dizendo: “Quem sabe faz, quem não sabe critica”.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

UM ESTUDO SOBRE CARICATURA n° 1 - DANÇA DE SÉRGIO VASCONCELLOS CORRÊA




PROCESSOS DE INTERTEXTUALIDADE NA HOMENAGEM MUSICAL:
Esthefânia Ribeiro Campos (bolsista IC – UNIRIO); PROFª.DRª. Lúcia Silva Barrenechea (IVL – UNIRIO)


INTRODUÇÃO

O processo de construção de uma interpretação musical abrange inúmeros aspectos, muitos deles carregados de complexidade. O instrumentista, ao se deparar com a preparação de uma nova obra musical, deve tomar uma série de decisões que, ao longo do processo, podem influir no resultado final de sua interpretação. O que se levou em conta neste trabalho foi o estudo contextualizador da produção musical do compositor Sérgio Vasconcellos Corrêa, no qual se define seu estilo e linguagem musical, como uma ferramenta necessária para a construção de uma interpretação musical estilisticamente informada. Além disso, foram propostas sugestões interpretativas para uma obra escrita em homenagem a outro compositor, baseadas nos traços estilísticos do corpus composicional do compositor homenageado. A obra alvo desta pesquisa é Caricatura Nº. 1 – Dança, de Sérgio Vasconcellos Corrêa (n. 1934), composta em homenagem a Mozart Camargo Guarnieri (1907 -1993), um dos maiores compositores brasileiros do século XX, cuja música, na opinião de Aaron Copland, “representa a vigorosa expressão musical do continente latino-americano” (apud MENDONÇA, 2001, p. 401). Foi escrita em 1987, como parte do caderno Homenagem a Camargo Guarnieri, organizado pelo pianista e professor José Eduardo Martins e editado pela ECA/USP.
A homenagem musical permeia historicamente toda a produção musical ocidental. Em uma parcela significativa das homenagens musicais, o compositor faz uma reutilização de traços estilísticos e idiomáticos de uma ou mais obras do compositor homenageado, parodiando ou evocando sua linguagem musical. Foi tomada como base para o estudo analítico dos traços estilísticos da obra de homenagem a teoria da influência de STRAUS (1990, p. 9), na qual três modelos correntes são caracterizados: “influência da imaturidade” relacionada ao jovem compositor em seus anos de formação; ”influência da generosidade” exemplificada pelo compositor que faz uso consciente do estilo musical de outro artista, reinterpretando e incorporando esse material ao seu universo musical; “influência da ansiedade” que descreve o compositor que se vê em conflito ao não conseguir se desvencilhar da presença da música do passado em sua própria criação. Assim, este trabalho buscou bases teóricas e material bibliográfico vasto para fornecer subsídios à análise da homenagem, tendo como finalidade preparar o intérprete para criar sua concepção da interpretação da obra.

OBJETIVO

O objetivo desta pesquisa foi verificar a ocorrência de processos de intertextualidade na obra Caricatura Nº1 – Dança (1987), de Sérgio de Vasconcellos Corrêa, escrita em homenagem a Camargo Guarnieri, com o intuito de elaborar subsídios para a preparação e construção de uma possível interpretação desta obra, levando-se em conta a presença de elementos estilísticos do universo de obras do homenageado.

METODOLOGIA

A metodologia aplicada na presente pesquisa baseou-se nas seguintes etapas:
1) Coleta de dados bibliográficos e documentais: partituras para piano de Camargo Guarnieri e Sérgio Vasconcellos Corrêa; biografias dos dois compositores abordados no estudo; trabalhos acadêmicos sobre suas composições; trabalhos sobre assuntos relacionados à intertextualidade e interpretação tais como artigos, teses, dissertações e comunicações em congressos; entrevista com Sérgio Vasconcellos Corrêa.
2) Cruzamento de dados para subsidiar a análise musical da obra Caricatura Nº1 – Dança.
3) Análise musical da obra Caricatura Nº 1 – Dança de Sérgio Vasconcellos Corrêa, levando-se em conta a teoria da influência musical elaborada por Joseph STRAUS (1990)
4) Redação final do trabalho.

RESULTADOS

Sérgio Vasconcellos Corrêa e Camargo Guarnieri: breves biografias

Nascido no estado de São Paulo em 1934, Sérgio Vasconcellos Corrêa iniciou seus estudos musicais com o piano, tendo estudado interpretação com a renomada pianista Magda Tagliaferro. Estudou também regência coral, e regência orquestral com maestros como Martin Braunwieser, Eleazar de Carvalho, Simon Blech e Hans Swarowski. Atuou como crítico musical dos jornais Folha da Tarde e O Estado de São Paulo, e ganhou vários prêmios, como por exemplo, o de melhor compositor em 1974 da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), além de outras dezenas de prêmios em concursos de composição. Participou de inúmeras edições da Bienal de Música Brasileira Contemporânea. Sérgio Vasconcellos Corrêa também possui obras editadas internacionalmente. Teve importante participação no ensino superior de música (foi professor na UNICAMP, UNESP e Faculdade Santa Marcelina, todas no estado de São Paulo) e é autor de três livros publicados nessa área (Planejamento em Educação Musical; Introdução à Harmonia e O Estudo do piano, um Início... sem Fim). Sérgio iniciou seus estudos com Camargo Guarnieri em 1956 e já trazia consigo o forte interesse pela música nacional.
Mozart Camargo Guarnieri nasceu em 1907 em Tietê, São Paulo, e começou seus estudos de música bem cedo, em casa com os pais. Em 1923, o pai decidiu mudar-se para a capital a fim de proporcionar melhor formação ao filho, e em 1925, Guarnieri passou a estudar piano com Antonio de Sá Pereira. Alguns anos depois, iniciou os estudos de harmonia, contraponto, orquestração e composição com o maestro Lamberto Baldi. No ano de 1928, conheceu um daqueles que se tornaria um de seus grandes amigos, defensor e divulgador de sua obra, Mário de Andrade, o qual se tornaria também um importante mentor intelectual do músico, então com 21 anos. Dez anos mais tarde, o compositor foi contemplado com bolsa para estudar na França, onde foi aluno de Charles Koechlin e François Rühlmann. Guarnieri foi premiado diversas vezes nos Estados Unidos (classificou-se em segundo lugar em um concurso realizado em Detroit para eleger a "Sinfonia das Américas"), o que solidificou sua carreira e tornou-se assim o segundo compositor brasileiro mais executado no mundo, superado apenas para Villa-Lobos. Participou de um movimento contra o dodecafonismo e foi intenso defensor da cultura brasileira. Antes de morrer chegou a receber o prêmio “Gabriela Mistral” de maior compositor das Américas.

A obra

Caricatura Nº1 – Dança, de Sérgio de Vasconcellos Corrêa, foi escrita a pedido do pianista José Eduardo Martins, à época professor da ECA – USP, por ocasião do octagésimo aniversário do compositor Mozart Camargo Guarnieri. José Eduardo Martins organizava um caderno de homenagens e entrou em contato com vários dos ex-alunos do maestro Guarnieri, convidando-os a participarem da homenagem, e apenas os seguintes retornaram com suas respectivas obras: Almeida Prado, Brenno Blauth, Eduardo Escalante, George Olivier Toni, Kilza Setti e Sérgio de Vasconcellos Corrêa. Antecedendo a partitura, Vasconcellos Corrêa apresenta uma análise de sua peça, explicando seus procedimentos composicionais, na qual aponta o emprego de traços estilísticos da obra de Guarnieri em sua homenagem (esta análise foi posteriormente publicada na revista Brasiliana, em 2005). Em entrevista concedida a esta pesquisadora, Sérgio afirma ser desnecessário o conhecimento, por parte do intérprete, de sua análise sobre a Caricatura Nº1 – Dança, acrescentando que “o intérprete deve construir a ‘sua’ performance baseado naquilo que descobriu ao decodificar a obra. A beleza de qualquer ‘interpretação’ está justamente nos ‘achados’ de cada intérprete” (CORRÊA, 2010). Essa é uma questão bastante discutida por músicos e pesquisadores da área. Em seu livro Poética Musical em 6 Lições (1996), Stravinsky discorre sobre a dualidade "compositor x intérprete", e nos oferece uma perspectiva interessante sobre o assunto. O compositor afirma existir dois tipos de músicos instrumentistas: os executantes e os intérpretes, e diz ainda que o executante apenas traduz os sons da partitura; o intérprete traduz os sons com perfeição além de ter um ‘amoroso cuidado’, o que não significa recompor a música. Para Stravinsky, as idéias de interpretação e execução diferenciam-se pelo fato de a primeira implicar em “limitações impostas ao músico, ou aquelas que este se impõe a si mesmo em sua função própria, que é a de transmitir música ao ouvinte” (p. 112), e a segunda ser “a estrita realização de um desejo explícito, que não contém nada além do que ele ordena especificamente” (p. 112). Mais recentemente, Sandra Abdo, em seu artigo “Execução/Interpretação musical: uma abordagem filosófica” descreve vários pontos de vista a respeito, e alguns se revelaram bastante radicais, tais como o de Benedetto Croce, que diz ser o intérprete apenas um meio para se reevocar fielmente o significado da obra, devendo executá-la tal qual o compositor executaria. Outras, menos radicais, defendem a importância que o intérprete tem para a criação de um sentido da obra musical. Alguns, como Koellreuter, enxergam a interpretação como uma livre tradução da música, pois é na verdade a decodificação de signos, uma ação por assim dizer subjetiva, sem que por isso o intérprete deixe de perceber as relações sonoras criadas pelo compositor. Outra visão, realmente interessante e relevante para o trabalho, é aquela defendida pelos “relativistas moderados”, como H.G Gadamer: “o significado original está para sempre perdido no tempo. A compreensão ocorre do ponto de vista do presente e de nada adianta resgatar o passado. Mais precisamente, a compreensão se efetiva como uma ‘fusão de horizontes’, isto é, passado e presente (autor e intérprete), juntos, constroem, a cada vez, um novo significado” (apud ABDO, 2000, p. 17).

Teoria da Influência Musical

Joseph Straus, em sua teoria da influência, contextualiza o processo de conceituação da influência artística no início do século XX, uma época em que a música do passado predominou fortemente, como resultado de desenvolvimentos tecnológicos que proporcionaram maior acesso aos mestres clássicos, estando os compositores modernos “mais profundamente imersos na música do passado (incluindo o passado distante) do que as gerações anteriores estiveram” (1990, p.5). Straus divide sua teoria da influência musical em três categorias diferentes, caracterizadas da seguinte maneira: “influência da imaturidade” relacionada ao jovem compositor em seus anos de formação; “influência da generosidade” exemplificada pelo compositor que faz uso consciente do estilo musical de outro artista, reinterpretando e incorporando esse material ao seu universo musical; “influência da ansiedade” que descreve o compositor que se vê em conflito ao não conseguir se desvencilhar da presença da música do passado em sua própria criação. Esta análise se realizará com base na segunda categoria, a “influência da generosidade”, que defende que um compositor em sua maturidade sofrerá influência e se reportará a obras anteriores, mas não de forma imatura, e sim em alusões conscientes ou uma homenagem direta, que é o caso da obra analisada neste trabalho.
Ainda em sua teoria da influência, Straus propõe uma categorização das técnicas composicionais utilizadas e compartilhadas pelos compositores do século XX, apesar destes apresentarem diferenças estilísticas superficiais. Essas técnicas são utilizadas para refazer formas anteriores, elementos de estilo, sonoridades entre outras características de obras o passado (p. 17). As categorias são:
1) Motivicização: o conteúdo motívico do trabalho anterior é radicalmente intensificado.
2) Generalização: um motivo de uma obra anterior é reformulado num conjunto de "pitch-class" do qual faz parte numa ordem não determinada. Esse conjunto de "pitch-class" é então empregado na nova obra de acordo com as normas de uso pós-tonal.
3) Marginalização: elementos musicais que são o centro da estrutura da obra anterior são relegados à periferia da nova obra.
4) Centralização: elementos musicais que são periféricos na estrutura anterior movem-se para o centro da nova obra.
5) Compressão: elementos que ocorrem diacronicamente são comprimidos numa figura sincrônica.
6) Fragmentação: elementos que ocorrem juntos na obra anterior são separados na nova obra.
7) Neutralização: elementos musicais tradicionais são riscados de suas funções normais, particularmente de seu impulso progressional. A continuidade do progresso é bloqueada.
8) Simetricização: progressões harmônicas orientadas com finalidade tradicional e formas musicais são feitas inversamente ou simetricamente retrógrada, e assim são imobilizadas.

A análise realizada neste trabalho tomou como ponto de partida a análise apresentada pelo próprio compositor, que acompanha a partitura na publicação do caderno de homenagens. Com base em traços estilísticos da obra para piano de Camargo Guarnieri coletados em artigos e trabalhos acadêmicos e observados nas partituras do compositor, procurou-se identificar a maneira como Sérgio Vasconcellos Corrêa faz a releitura do estilo musical de Guarnieri em sua homenagem, levando-se em consideração a categorização elaborada por Straus.

A análise

Conforme exposto anteriormente, a obra Caricatura Nº1 – Dança, de Sérgio Vasconcellos Corrêa, foi escrita sob encomenda a fim de homenagear Camargo Guarnieri. Alguns pontos devem ser ressaltados para melhor entendimento da obra. A respeito do tema da homenagem, este foi proposto pelo organizador do caderno no qual foi publicada a peça de Corrêa, e seguiu uma norma, conhecida como soggetto cavato, na qual a composição é baseada num motivo que é construído com a altura equivalente derivada das letras do nome do homenageado (ROWND, 1990, p. 32). Neste caso, o motivo foi construído com a altura equivalente as letras do último nome do homenageado (Exemplo musical 1).


Exemplo musical 1: Tema musical proposto para compor a homenagem a Guarnieri.

O compositor, juntamente com a obra, publicou uma extensa análise de sua homenagem, e começou por explicar a escolha do nome caricatura: “Ao escolher como título da composição a palavra CARICATURA, levei em consideração o conceito que tenho da mesma e não aquele usualmente apresentado pelos Dicionários. (...) Para mim, CARICATURA é uma arte muito mais completa e complexa do que se supõe. É a forma de expressão – por excelência - de retratar, de maneira bem humorada, por meio do traço rápido e sintético, os aspectos mais marcantes da personalidade do indivíduo focalizado.” (CORRÊA, 2005, p. 2). A partir desse esclarecimento pode-se ter uma idéia do que esperar da peça, ou seja, traços da personalidade musical de Guarnieri trabalhados segundo a visão que o discípulo tinha do mestre, uma visão bem-humorada, espirituosa e até mesmo filosófica (CORRÊA, 2005, p. 2 e 3). Seguindo em sua análise, Corrêa explica porque a obra Caricatura tem o subtítulo dança: “À simples leitura da série de sons proposta a guisa de tema, saltaram-me à mente os ritmos bamboleantes da DANÇA NEGRA, talvez a obra mais conhecida de Camargo Guarnieri. Sem me prender à cópia servil desses ritmos, procurei então organizar os sons sugeridos de modo a provocar a imediata lembrança dessa peça.” (CORRÊA, 2005, p. 2).


Exemplo musical 2: Tema com elaboração rítmica em Caricatura de S. V. Corrêa, c.1 e 2

Essa idéia rítmica retornará ao longo da obra, de acordo com a organização formal estabelecida, um “A-B-A”, e que o próprio compositor se encarrega de relatar na sua análise.
Utilizando a categorização proposta por Straus, é possível observar o processo de intertextualidade desenvolvido por Corrêa. Entretanto, nem todas as categorias são encontradas na elaboração desta peça, como a Generalização, a Compressão, a Neutralização e a Simetricização. Dentre as categorias restantes podemos exemplificá-las com trechos da obra de Corrêa. E por fim, aspectos de Caricatura que não possam ser discutidos de acordo com as categorias da teoria de Straus, serão discutidos em tópico a parte.
O tema principal de Dança Negra (Exemplo musical 3) é citado em Caricatura em tonalidade diferente da original e em combinações rítmicas diferentes ao longo da peça, e mais intensamente no início da obra (Exemplos musicais 4, 5 e 6), o que pode ser entendido como uma Motivicização.


Exemplo musical 3: Tema principal de Dança Negra de C. Guarnieri, c. 1-11.


Exemplo musical 4: Caricatura de S. V. Corrêa, c. 5 e 6.


Exemplo musical 5: Caricatura de S. V. Corrêa, c. 9-15.


Exemplo musical 6: Caricatura de S. V. Corrêa, c. 35-37.

A respeito dessa manipulação do tema, o próprio compositor se manifesta, registrando em sua análise a utilização consciente do tema a fim “de melhor caracterizar o homenageado” (CORRÊA, 2005, p. 4), e explicando a forma como explorou tal idéia, “ora com seus valores reduzidos ora com os seus valores ampliados” (CORRÊA, 2005, p. 4).
O fragmento rítmico que dá início à Caricatura (Exemplo musical 7) é retirado do início de Dança Negra (Exemplo musical 8), e caracteriza mais uma ocorrência da Motivicização. Foi também citado acima como importante elo entre a obra e o homenageado, pois Corrêa faz questão de deixar clara sua intenção de mostrar os “ritmos bamboleantes” da Dança Negra na Caricatura.


Exemplo musical 7: Caricatura de S. V. Corrêa, fragmento rítmico, c. 1-2.


Exemplo musical 8: Dança Negra de C. Guarnieri, c. 1-2.

.Em seguida podemos classificar no item Marginalização o tema principal trabalhado em oitavas na Dança Negra que caracteriza toda a parte central da peça (Exemplo musical 9), e na Caricatura Corrêa faz uso desse desenho apenas nos compassos finais da coda (Exemplo musical 10), estabelecendo, assim, uma posição mais periférica do que central para esta idéia textural elaborada por Guarnieri.

Exemplo musical 9: Dança Negra, tema principal em oitavas, c.45-52.


Exemplo musical 10: Caricatura de S. V. Corrêa, coda, c. 87-96.

Seguindo a ordem das categorias temos agora a Centralização, que é o oposto da Marginalização, e que podemos exemplificar com os ornamentos. Na Dança Negra, Guarnieri faz uso bem contido das apogiaturas, ao contrário do que ocorre em suas obras como um todo. O uso de ornamentos nas composições para piano de Guarnieri é definido por Belkiss Carneiro de Mendonça da seguinte forma: “notas de adorno (são) uma forma expressiva e característica, empregada por ele como reforço interpretativo, e como tal devem ser sentidas” (2001, p. 402). O Ponteio nº 5 ilustra essa característica:

Exemplo musical 11: Ponteio nº 5 de Camargo Guarnieri, c. 8-10.

Em Dança Negra, as apogiaturas são exploradas em cinco compassos diferentes: 32 (duas vezes), 42, 43, 54 e 55 (nesses dois últimos a apogiatura também aparece duas vezes).
Sérgio V. Corrêa em sua homenagem faz uso mais intenso dessas apogiaturas dando maior destaque a essas notas de passagem (compassos 5, 9, 11, 12, 16, 18, 20, 27, 29 duas vezes, 33, 35, 37, 42, 45, 47, 58, 59, 60 três vezes, 69, 73, 75, 78, 82, 84), como pode ser observado no exemplo 12. Também pode ser considerada nesta categoria da Centralização a articulação que aparece no acompanhamento da Dança Negra no compasso 21 (Exemplo musical 13), e que passa a ter maior destaque quando empregado no fragmento da melodia na Caricatura, no compasso 6, 22 e 60 (Exemplo musical 14).

Figura A

Figura B

Exemplo musical 12: Caricatura de S. V. Corrêa, ornamentação, c. 60 (figura A) e 73 (figura B).


Exemplo musical 13: Dança Negra, articulação da mão esquerda, c. 21 (primeiro compasso da figura acima).


Exemplo musical 14: Caricatura de S. V. Corrêa, articulação da melodia, c. 5-6.

Prosseguindo na categorização, a Fragmentação aparece em inúmeros momentos da peça de homenagem. A primeira célula trabalhada por fragmentação em Caricatura é o próprio tema retirado da Dança Negra, que não é apresentada integralmente, e sim apenas na sua primeira parte. Outro elemento fragmentado é a figura rítmica da clave de fá da Dança Negra presente nos compassos 61 e 62, que são elementos de ligação entre duas seções, e que na Caricatura aparece como acompanhamento do motivo melódico (compassos 35 e 36).

Exemplo musical 15: Dança Negra de Camargo Guarnieri, c. 61-62.


Exemplo musical 16: Caricatura de S. V. Corrêa, c. 35-36.

Tendo verificado, em sua análise, vários dos pontos comentados a respeito da homenagem, foi verificado que Corrêa não chega a comentar nenhuma das características aqui organizadas na categorização de Straus, à exceção da Motivicização, em que o compositor tem a intenção de trabalhar intensamente o tema da obra original.


Outros elementos de Intertextualidade

Em sua extensa obra para piano, abordada nesta pesquisa, Camargo Guarnieri foi polifonista extremamente habilidoso, no dizer de Mário de Andrade, verificados pela maneira como Guarnieri respeitava a forma e a linearidade. Não é, porém, somente essa característica que qualifica Guarnieri como compositor polifônico, mas também, “por usar uma forma difícil de escrever, que o impedia de ser ‘amado à primeira vista’” (SILVA, 2001, p. 401), como foi reprovado pelo próprio Mário de Andrade. Exemplo disso são as três peças infantis, intituladas “As três graças”, e que Marion Verhaalen diz serem “um bom material para desenvolver a leitura polifônica do aluno jovem (...). O contraponto em duas partes parece mais um desafio que uma recompensa” (VERHAALEN, 2001, p. 114).
Belkiss Mendonça também chega a dizer que as obras de Camargo Guarnieri poderiam ser estudadas por pianistas a fim de aprimorarem sua formação musical e técnica: “Sua obra (...), apresentada após o estudo das peças para teclado de J. S. Bach anexaria ao trato polifônico, já conhecido, novos elementos melódicos e rítmicos oriundos da música atual” (MENDONÇA, 2001, p. 401). Em ambas as peças analisadas neste trabalho, a dificuldade inicial de leitura foi constatada, a partir do momento em que tanto mestre quanto discípulo, fazem uso constante de diferentes linhas melódicas em superposição, gerando uma visão horizontal das obras, e ainda por terem intensa variedade rítmica.
Seguindo a análise, em seu livro “Camargo Guarnieri – Expressões de uma vida”, Marion Verhaalen, no capítulo “Piano Solo” discorre sobre cada obra para piano de Camargo Guarnieri, fazendo uma análise razoavelmente detalhada, e na qual encontramos a seguinte explicação sobre o surgimento da Dança Negra:

(...) surgiu de uma visita que Guarnieri fez a uma cerimônia de candomblé durante sua viagem à Bahia, em 1937. O táxi precisava subir uma íngreme ladeira e em certo ponto o motorista avisou que eles teriam que andar o resto do caminho. (...) À medida que se aproximavam do terreiro, os sons se tornavam cada vez mais altos. Essa estória explica o arco dinâmico que se encontra na peça. Guarnieri dizia: “A obra deve se iniciar em pianíssimo e crescer até atingir o volume máximo; a partir daí diminui novamente” (Verhaalen, 2001, p. 101).

Depois disso a autora oferece uma análise da peça dividida em cinco seções, onde aparece o tema A e o tema B intercalados por acordes que comentam o final das frases depois da primeira aparição e finalizando com uma Coda. Podemos reagrupar facilmente a análise de Verhaalen em uma forma A-B-A com Coda e, assim, verificar mais um ponto de intertextualidade entre Corrêa e seu mestre, Guarnieri, já que a Caricatura de S. V. Corrêa, possui sua forma semelhante à Dança Negra, em que vemos o mesmo A-B-A acrescido de uma Coda. Além disso, o arco dinâmico que Verhaalen cita também pode ser encontrado na obra de Corrêa, pois Caricatura inicia em piano, chegando a um forte na parte central B, e voltando ao piano na re-exposição, tendo duas exceções onde aparece um forte na re-exposição e outro no início da Coda.
Além dos dois tópicos tratados acima, as indicações de caráter do andamento foi outra semelhança observada durante a pesquisa. Desde o início Guarnieri foi um compositor nacionalista, e quando, em 1928, se encontrou com Mário de Andrade, obteve logo o apoio e amizade daquele que era o maior porta-voz do nacionalismo no Brasil. Nesse primeiro encontro, Mário de Andrade ouviu algumas peças do jovem compositor, e identificou-as logo com suas teorias, e um dos pontos que chamaram a atenção, foi justamente o fato de os subtítulos da Sonatina nº1, por exemplo, serem apresentados em português, e não em italiano como de costume (VERHAALEN, 2001, p. 23). Essa característica sobressai muito nos ponteios de Guarnieri: a representação de um sentimento ou caráter no subtítulo da obra: o Ponteio nº1 é indicado Calmo, com profunda saudade, no nº3 Dolente, o nº 5 Fatigado, e assim por diante, todos eles têm sua representação de um sentimento ou estado. Não somente os ponteios, mas as sonatinas, os improvisos e os momentos também são ótimos exemplos para representar tal característica. Na Dança Negra podemos identificar no primeiro compasso a indicação “Soturno”, e em outros momentos, como no compasso 31, indicações como ”luminoso”. Na Caricatura, Corrêa também utiliza esse recurso no início da peça, indicando “Com humor”, e também no compasso 56, “Saudoso”. A escolha da indicação “Com humor” para o início da peça reforça a afirmação do compositor em sua análise, de que ele vê um lado de Guarnieri “bem humorado, risonho, gozador” (CORRÊA, 2005, p. 3), e talvez ele quisesse ressaltar essa característica do homenageado através desse procedimento tão presente nas obras de Guarnieri.
Um aspecto que não deve ser esquecido é a maneira como Corrêa se apropria de determinadas idéias musicais que ocorrem numa sequência que pode ser definida como um gesto musical. Hatten afirma que definir gesto musical “é ao mesmo tempo difícil e fascinante, porque toca numa competência que é fundamental para a nossa existência: a habilidade de reconhecer significados naquilo que se forma energeticamente no tempo” (Hatten, 2004, p. 93). No caso da obra em questão, Corrêa lança mão do mesmo gesto musical adotado por Guarnieri em seus compassos finais na Dança Negra para concluir Caricatura, que consiste em uma movimentação ascendente de colcheias em diminuendo até a região aguda, seguida de um acorde dissonante de longa duração em pianíssimo articulado nas regiões média e grave (Exemplos musicais 17 e 18).


Exemplo musical 17: Dança Negra de C. Guarnieri, c. 118 ao 121.


Exemplo musical 18: Caricatura de S. V. Corrêa, c. 92 ao 96.

Por fim, em relação à harmonia, as duas peças diferem bastante, já que a Dança Negra foi construída sobre uma melodia diatonicamente modal, e mesmo havendo uma armadura de clave (quatro sustenidos), os acidentes colocam a melodia em Dó# Maior (VERHAALEN, 2001). A peça Caricatura, apesar de ter momentos em que as harmonias são funcionais, é uma obra claramente serial, já que sua composição foi realizada a partir da sugestão de um tema construído a partir de uma série de notas relacionadas com o nome GUARNIERI. Apesar disso, a obra de Corrêa dialoga com o restante da obra de Guarnieri através do uso da harmonia de quartas encontrada, por exemplo, na Dança Selvagem e O Cavalinho da Perna Quebrada (VERHAALEN, 2001).

CONCLUSÃO

O trabalho de análise de uma obra musical pode servir a inúmeros propósitos, dentre eles um aprofundamento do conhecimento do processo criativo do compositor. Caricatura Nº1 – Dança de Sérgio Vasconcellos Corrêa é uma obra criada com o objetivo específico e declarado de prestar homenagem ao compositor Camargo Guarnieri, e para tanto, Corrêa lançou mão de procedimentos que podem ser observados à luz da teoria da intertextualidade, ou influência musical. O próprio compositor afirma ter tomado como ponto de partida para sua criação uma obra específica de Guarnieri, Dança Negra. Através da análise aqui apresentada, a ocorrência de processos intertextuais foi indubitavelmente verificada. Para tanto, foi utilizado como norteador da análise os escritos sobre a Teoria da Influência de Joseph Straus, que apresenta uma detalhada categorização de ocorrências intertextuais na música.
Tendo em mãos a análise do próprio Corrêa, teve início o processo comparativo entre as duas obras, que levou em consideração os pontos discutidos pelo compositor, e ocorrências listadas na categorização organizada por Straus, o que levou à observação de novos aspectos de influência que não foram mencionadas na análise de Corrêa. Outras ocorrências de intertextualidade não contempladas pela categorização de Straus foram abordadas, a partir da observação minuciosa da obra para piano de Camargo Guarnieri, da análise da Dança Negra e da Caricatura, e da obra aprofundada de Marion Verhaalen sobre a música de Guarnieri.
Devemos citar aqui a importância deste processo investigativo para o processo de aprendizagem que o intérprete desenvolve na construção da interpretação de uma obra musical. Espera-se ainda que este estudo tenha contribuído para aprofundar a investigação a respeito da intertextualidade musical, e que sirva como fonte bibliográfica para futuras pesquisas sobre o assunto.

REFERÊNCIAS:

ABDO, Sandra Neves. Execução/Interpretação musical: uma abordagem filosófica. Belo Horizonte: Per Musi, v.1, 2000, p. 16-24
CORRÊA, Sérgio Vasconcellos. Caricatura N° 1 (Homenagem a Camargo Guarnieri). Rio de Janeiro: Brasiliana, n. 21, setembro de 2005, p. 2-6.
CORRÊA, Sérgio Vasconcellos. Entrevista concedida por correio eletrônico. Mensagem recebida por Esthefânia Ribeiro Campos , em 14/01/2010.
GUARNIERI, Mozart Camargo. Studi per Pianoforte. Buenos Aires: Ricordi Americana S. A. E. C., 1955
_________________________. Ponteios per Pianoforte. Buenos Aires: Ricordi Americana S. A. E. C., 1955
_________________________. Sonatina nº1. São Paulo: Ricordi Brasileira S. A., 1958
_________________________. Sonatina nº2. São Paulo: Ricordi Brasileira S. A. E. C., 1973
_________________________. Sonatina nº3. New York: Associated Music Publishers Inc., 1945
_________________________. Toccata. São Paulo: Ricordi Brasileira S. A., 1947
_________________________. Valsa nº 9. São Paulo: Ricordi Brasileira S. A., 1958
_________________________. Valsa nº10. São Paulo: Ricordi Brasileira S. A., 1958
HATTEN, Robert S. Interpreting musical gestures, topics and tropes: Mozart, Beethoven, Schubert. Bloomington and Indianapolis: Indiana University Press, 2004.
MARTINS, José Eduardo (org.). Homenagem a Camargo Guarnieri: seis peças para piano. São Paulo: Oficinas Gráficas da ECA/USP, 1989.
MENDONÇA, Belkiss Carneiro de. A obra pianística. In: SILVA, Flávio (org.). Camargo Guarnieri: O Tempo e a Música. Rio de Janeiro: Funarte, 2001, p. 401-422.
ROWND, GARY R: Musical Tombeaux and Hommages for Piano Solo. Lexington: University of Kentucky, 1990 (Tese, Doutorado em Música).
SILVA, Flávio. (org.). Camargo Guarnieri: o Tempo e a Música. Rio de Janeiro: Funarte, 2001, p.401-422
STRAUS, Joseph N. Remaking the Past: Musical Modernism and the Influence of the Tonal Tradition. Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1990.
STRAVINSKY, Igor. A Performance Musical. In: Poética Musical (em 6 lições). Tradução: Luiz Paulo Horta. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996
VERHAALEN, Marion. Camargo Guarnieri: Expressões de uma Vida. São Paulo: EDUSP, 2001.


ANEXO

Entrevista com o compositor Sérgio Vasconcellos Corrêa concedida por correio eletrônico

PERGUNTA:
1) Para o Senhor, como se dá o processo de buscar elementos estilísticos da obra de um compositor para transformá-los num processo de releitura e homenagear este compositor? Como eleger um elemento em detrimento de outro? O Senhor poderia exemplificar com Caricatura nº1 – Dança?

RESPOSTA:
• Garanto a você que essa pergunta não é fácil de responder, mesmo porque, para fazer uma homenagem não é necessário, nem obrigatório o uso de elementos estilísticos que lembrem o homenageado, no entanto, no caso da CARICATURA, posso dizer que sim, ao ser consultado pelo José Eduardo Martins sobre a possibilidade de escrever uma peça em “homenagem ao Guarnieri” e ao saber que a intenção dele era: que a idéia melódica fosse tirada das letras do nome do compositor (G – U – A – R – N – I – E – R - I), de imediato me veio à memória o ritmo da Dança Negra.
• Quanto ao fato de “eleger um elemento em detrimento de outro”, posso garantir que não houve qualquer pré-disposição ou planejamento para que isso acontecesse. Durante o ato criativo, posso dizer que os “sons dançam na cabeça do compositor” e surgem espontaneamente encaixando-se aos demais. É quase o que se dá quando estamos a discorrer sobre um determinado assunto, a idéia (tema) sabemos qual é, no entanto as palavras “surgem” como por encanto e dão forma ao discurso.

PERGUNTA:
2) No caso da peça Caricatura nº1 – Dança, o Senhor acha relevante que o intérprete tenha conhecimento de sua análise publicada junto à obra no caderno de Homenagens a Camargo Guarnieri, para que ele possa ter subsídios para construir sua performance baseada nas informações sobre o processo composicional em questão?

RESPOSTA:
• Não. O interprete deve construir a “sua” performance baseado naquilo que descobriu ao decodificar a obra. A beleza de qualquer “interpretação” está justamente nos “achados” de cada interprete. É evidente que o texto musical não deve ser modificado ou alterado, mas, como dizia Debussy: “música não é o quê está escrito, mas, o que está atrás do que está escrito”.

PERGUNTA:
3) De que modo o Senhor vê a influência de Guarnieri, e outros compositores, sobre sua obra em geral? Que compositores o Senhor citaria como influências na sua formação musical? De que maneira?

RESPOSTA:
• Você não encontrará em toda a história da música, compositor que não tenha sofrido influência de outros compositores. Comigo não foi diferente. A maior influência do Guarnieri que percebo no meu ofício de compositor está muito mais relacionada à consciência profissional e artesanal do ato de compor do que qualquer outra. A preferência pelo contraponto vem da admiração que sempre tive pela obra de Bach. O brasileirismo surgiu quatro anos antes de iniciar os estudos de composição com o maestro Camargo Guarnieri, ou seja, 1952 (Iniciei os estudos com Guarnieri em 1956).
• Após ingressar no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo passei a estudar “folclore” com o professor Rossini Tavares de Lima, a ler os escritos de Mário de Andrade, a ouvir a música de Luiz Gonzaga e a conhecer melhor a obra de Villa-Lobos. A título de exemplificação relaciono algumas composições feitas entre os anos de 1950 e 1955.
a) Lamento (para piano) baseado em ritmos afro-brasileiros (1950)
b) Oração (canto e piano e versão para coro) sobre texto do folclore português (1952)
c) Embolada (para piano) – (1954)
d) 12 Ponteios (para piano) – 1954/1955
e) Festa na Roça (para piano) – (1955)

PERGUNTA:
4) O Senhor acha possível que um compositor seja livre de qualquer influência? Por quê?

RESPOSTA:
• Acredito que a pergunta anterior já esteja respondida. “Ninguém cria do nada”. Mesmo que sejam “inconscientes” as influências far-se-ão sentir.

PERGUNTA:
5) O que a experiência de escrever uma homenagem trouxe de novidade para o seu processo composicional? O Senhor já havia escrito alguma homenagem antes, ou escreveu mais alguma desde Caricatura?

RESPOSTA:
• Novidade nenhuma. Foi apenas mais uma experiência que motivou a expansão da criatividade, em certo sentido tolhida pelos limites da proposta feita pelo pianista José Eduardo Martins. Anteriormente, logo após o falecimento de Stravinsky, iniciei a composição de um “Treno Lutuoso in Memorian de Igor Stravinsky” que não cheguei a concluir.

PERGUNTA:
6) O Senhor saberia informar se Caricatura foi gravada comercialmente? E a 1ª audição, aconteceu quando, com qual pianista?

RESPOSTA:
• Infelizmente até o momento - que eu saiba - a peça não foi gravada. A 1ª Audição deu-se a 03 de junho de 1989 no Salão “Leopoldo Miguez” da Escola de Música da UFRJ pela pianista Fernanda F. Chaves.