Sinceramente, um dos campos que eu gostaria de dominar, ou pelo menos, ter a formação
necessária para poder abordar e discorrer é o da psicologia e da psicanálise, no entanto, apesar da
atração que sinto pela área, sei que não devo me atrever a julgar atitudes e comportamentos que
estão além da minha compreensão. Assim, só me resta, fazer constatações, expor atitudes
compatíveis e incompatíveis com a minha maneira de pensar e deixar aos profissionais a palavra
final sobre o assunto que vou abordar.
Sei, por exemplo, que é dado o nome de “complexo de inferioridade”, a sensação de que se é
“inferior” - em algum aspecto - a alguém e que esse “sentimento imaginário” geralmente é
inconsciente.
No geral, o indivíduo que o possui é levado a querer demonstrar “superioridade” através de
posturas que acabam por reforçar ainda mais as falsas idéias que habitam o seu subconsciente sobre
a importância, a qualidade e o valor que tem - ou julga ter - configurando uma fuga deliberada do
que julga ser o seu “status quo”.
Acontece que esse “complexo de inferioridade” assume proporções mais preocupantes quando
deixa de ser individual para tornar-se coletivo. É o que alguns consideram como “inferioridade
cultural”. Esse complexo não nasce do nada, ele se intensifica aos poucos, por meio de insinuações,
comparações - pertinentes ou não – e endeusamentos que acabam por levar a objetivos subjetivos
que acabam por reforçar, ainda mais, o grau de negativismo, responsável pelo sentimento de
inferioridade.
Algumas causas podem ser facilmente apontadas, tais como: o costume arraigado de alguns pais,
que usam a “comparação” para ensinar aos filhos o que é “certo” e o que é “errado”, atribuindo
aos seus uma das duas posturas; Os preconceitos de ordem social relacionada à supremacia
“intelectual”, “religiosa”, “racial”, “sexual” e até mesmo “econômica” de um povo sobre os
demais; A “necessidade de auto-afirmação”, que procura na aceitação alheia os louros que venham
coroar o seu egocêntrico “complexo de superioridade”.
Essas idéias me vêm à cabeça quando começo a comparar o que nós, brasileiros, dizemos e
fazemos, vejamos:
Houve um plebiscito para escolher qual o regime político da nossa preferência. Rejeitamos a
“Monarquia”, no entanto, somos REIS em tudo.
Rei Momo; Rei da Voz; Rei Pelé; Rei Roberto Carlos; Rei do Baião;
As Escolas de Samba são verdadeiras cortes; Império Serrano, Império do Papagaio (que
desfilou em Helsinque na Suécia em 2004), Império do Povo (Macapá), Imperatriz Leopoldinense
e outras.
Não nos contentamos em “ser bons”, somos sempre “Os Maiores”. . . “do Mundo”.
Em outros aspectos, a grande maioria se diz orgulhosa de ser “brasileira”, no entanto não respeita
o BRASIL. Um dos símbolos mais representativos que temos é o nosso HINO NACIONAL, que
dizem ser difícil - por ser muito longo e por ter muitas palavras incompreensíveis - no entanto sabem
de cor qualquer letra, de qualquer música, em idiomas que não conhecem e cujo significado
desconhecem. O pior, não o respeitam - por gestos e atitudes - quando é apresentado e vejam, não
estou me referindo apenas ao povo, mas, também aos que o dirigem. Se fosse obrigatório saber
cantá-lo para tomar posse em cargos públicos, do mais simples funcionário ao presidente da
República, teríamos vagas sobrando.
Analisando esses fatos - que são uma constante entre nós - sem pretender estabelecer quaisquer
confrontos ou comparações, mas, apenas citar realizações recentes, chamo à atenção do leitor para
que reflita sobre o tema deste artigo.
• A Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí, sob a direção do Maestro
alemão Felix Krieger apresentou, no Teatro “Coliseu”, em Santos, um concerto inteiramente
dedicado à música alemã, com obras de Christoph Willibald Gluck, Georg Friederich Handel e
Wofgang Amadeus Mozart. As três obras fazem parte do projeto pedagógico-artístico “Música
Orquestral Alemã” de estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo Conservatório de
Tatuí. O Projeto reverencia o compositor e pianista santista José Antonio de Almeida Prado.
Seria cômico se não fosse deprimente.
Não pensem que vou recriminar o Maestro Felix Krieger, muito pelo contrário, o jovem artista
demonstrou exatamente o que lhe competia fazer, apresentar os autores da sua terra, que hoje, devido
a outros como ele, são compositores do mundo. Ninguém em sã consciência pode deixar de
reconhecer o valor da música e dos músicos alemães, do passado e do presente.
Nada a censurar, também, quanto ao fato da Prefeitura de Santos abrir as portas do seu belíssimo
Teatro “Coliseu” para acolher os visitantes e oferecer música de qualidade aos seus munícipes. O
que causa estranheza é a nota do jornal “A Tribuna” - Evidentemente não culpo o jornal, se a
alguém cabe culpa é ao redator - Geralmente o que se vê? Quando se trata de autores brasileiros,
economia de letras para poupar espaço; Villa-Lobos; Mignone; Guarnieri; Gnatalli; Santoro, apenas
os nomes de família. Aos estrangeiros pelo contrário, só falta agregar títulos e apelidos.
Agora, o fato de o repertório fazer parte de um “Projeto Artístico-Pedagógico” direcionado à
“Música Orquestral Alemã”, de “Estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo
Conservatório de Tatuí”, é bastante sintomático. Não seria mais pertinente um projeto direcionado
à “Música Orquestral Brasileira” que permitisse aos jovens interpretes (instrumentistas e regentes)
do país, conhecer e apreciar a música dos compositores brasileiros?
No entanto, o absurdo dos absurdos é constatar que o projeto diz reverenciar um autor brasileiro –
José Antonio Rezende de Almeida Prado – sem, no entanto, apresentar nenhuma obra do talentoso
e inesquecível compositor santista. Isso, para mim, configura um acinte à memória do artista e a
todos os compositores brasileiros.
Tenho a certeza, absoluta, que já estou sendo criticado, pois, no Brasil, aquele que propugna por
maior visibilidade para os seus artistas é acoimado de xenófobo, enquanto o estrangeiro é patriota.
Mas, não pensem que este foi o único caso da semana, não, a TV Cultura de São Paulo,
apresentou no final da semana, um belíssimo recital do extraordinário Nelson Freire, gravado no
Festival de Verbier (Suíça - 2007) no qual o pianista apresentou obras de Bach, Beethoven,
Debussy, Albeniz e Schumann. Vendo isso, como não louvar a atitude do jovem pianista chinês
Lang Lang, que ao fazer a sua estréia no Carnegie Hall (NY) apresentou, na primeira parte do
programa, obras de: Schumann, Haydn, Schubert e na segunda, vestido a caráter - como chinês
que é - obras de seu conterrâneo, Dun Tan, além de uma extraordinária peça folclórica, em duo com
seu pai Guo-Ren Lang executando um instrumento típico chinês.
Vamos pensar juntos: Sofremos ou não do “complexo de inferioridade”?
Vamos, ou não, lutar pela construção da nossa identidade cultural?
Manifestem-se os que são do ramo.
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
DEI UM NÓ NO CÉREBRO
DEI
UM NÓ NO
CÉREBRO
(29-03-2012)
De poucos anos pra cá, venho
acumulando dúvidas e incertezas, no mínimo preocupantes.
São dúvidas, sobre o que aprendi
como: o que é CERTO, e o que é ERRADO.
Incertezas, sobre o que me
ensinaram ser: o JUSTO e o INJUSTO.
Preocupantes, porque o CERTO não
é mais CERTO, o CERTO agora é o ERRADO e o JUSTO, INJUSTO ficou.
A preocupação vem, exatamente, do
fato de que tudo o que é INJUSTO é aceito tranquilamente, como JUSTO.
Já não sei se opinar é CERTO ou
ERRADO. Tenho a impressão que é ERRADO, pois, antes era CERTO.
Tenho medo de clamar por JUSTIÇA
e . . . Acabar INJUSTIÇADO.
Sempre ouvi dizer que “A justiça é cega”. Acho que começo a
entender por que.
Passei minha vida ensinando,
CERTO; ERRADO.
Hoje tenho dúvidas sobre, se tudo
o que preguei estava ERRADO ou CERTO.
Nunca emiti opiniões em assuntos
que não sabia, por estar convicto de que não era JUSTO. Hoje, qualquer
ignorante, mesmo sem saber por que o faz, emite pareceres e clama por JUSTIÇA.
Ouço dizer, constantemente, que o
nível de aprendizado dos alunos da rede pública é fraco – CERTO - e os que o afirmam
apontam soluções CERTAS. ERRADO.
Sempre soube que aos educadores cabe
educar – CERTO - e que são eles que ditam as normas do ensino - ERRADO. São os
técnicos de gabinete que, na sua crassa ignorância, confundem EDUCAR com
ENSINAR. Para eles as disciplinas ESSENCIAIS são o CERTO e as demais, as SUPÉRFLUAS,
o ERRADO. Será isso JUSTO ou INJUSTO?
A grande maioria acha que cabe à
escola “ensinar”, o que é CERTO, no entanto, essa mesma maioria rebela-se
quando as crianças são “ensinadas” a fazer o que não fazem em casa, ou seja,
limpar o que sujaram, seria o CERTO, mas dizem que é ERRADO.
Quando um professor é agredido,
física e moralmente pelos alunos, não lhe resta alternativa a não ser,
deixar-se espezinhar, para não ser admoestado e punido, CERTO? Se tomar
atitudes como: enviar o aluno à direção da escola para que a mesma possa tomar
as medidas corretivas cabíveis, convenientes e educativas como deveria acontecer,
está sujeito a ser demitido, processado, exonerado – ERRADO - o CERTO é ficar
de bico calado para não sofrer sanções.
Um árbitro de futebol pode “expulsar” técnico e jogadores que não
se portem de maneira conveniente, CERTO? No entanto se o professor tomar essa
atitude, o “expulso” será ele, ERRADO? Não, a hipocrisia que reina entre nós
diz que isso está CERTO.
Está na moda denunciar a
violência física ou psicológica sobre, ou entre os alunos, a qual recebe o nome
importado de “Bullying”, CERTO? E quando essa violência é direcionada pelos
alunos contra professores, ou entre os professores “efetivos” contra os “eventuais”
que nome recebe?“Intimidating”? Sabemos que muitos jovens chegaram ao suicídio devido a essa prática perniciosa e quantos professores estão aposentados pelo Departamento Médico dos Estados devido ao “Intimidating”, ou abandonaram o magistério ocasionando a falta de qualidade e quantidade de que hoje nos ressentimos? O que é CERTO e o que é ERRADO.
Por favor, aquele que souber dizer, com JUSTEZA, o que CERTO e o que é ERRADO, que venha em meu socorro. Não acho JUSTO ficar dando “tratos à bola” sem saber por que os JUSTOS estão sempre ERRADOS e os INJUSTOS, CERTOS, ou os CERTOS estão CERTOS quando estão ERRADOS e os JUSTOS são INJUSTOS quando se dizem JUSTOS.
Socorro. Acho que estou sendo vítima de “Bullying”, ou será “Intimidating”, “Intimidating”, ou “Bullying”. Qual é o CERTO? Qual é o ERRADO?. É JUSTO fazer isso com um velho professor?
segunda-feira, 26 de março de 2012
Para ser Professor é preciso . . . Boa Sorte
Ah! O velho Professor Raymundo.
O Salário do Professor hó ...... R$%%%%%%%%%%%
Pois é!
Eu havia chegado à conclusão que o melhor seria pendurar as chuteiras.
Tentei. No entanto, ao fazer as contas; ao perceber que joguei fora os melhores anos da minha vida tentando colaborar, no sentido de deixar um Brasil melhor para os meus filhos, netos e agora bisnetos; que dei socos em ponta de faca, para ter orgulho do meu país, o que vejo?
Um povo bruto, mal educado, perverso. Orgulhoso de ser corrupto. Desrespeitoso; Agressivo; Antiético; Grosseiro; Inculto; Separatista . . . Sim, Separatista, pois a maioria não se diz Brasileiro e sim
Afrodescendente
Amazonense
Carioca
Catarinense
Gaúcho
Mineiro
Nordestino
Paranaense
Paulista
Quilombola
Um povo que Mata; Rouba; Grita; Afronta; Corrompe e Ofende, sempre com um sorriso nos lábios.
Um povo que não respeita idade, hierarquia, sabedoria é um povo que não se respeita. É um povo que não pensa que amanhã – se não for morto antes - também terá idade. Se for íntegro e trabalhador poderá vir a ser, hierarquicamente, respeitável e se estudar, consequentemente terá toda a probabilidade de se tornar mais sábio que a maioria.
Passei minha vida em salas de aula, respeitando para ser respeitado, tendo na mente o exemplo japonês que permite apenas ao Professor, o não inclinar-se perante o Imperador, pelo simples fato de que, sem o Professor não haveria o Imperador. No entanto, o que vemos por aqui? O desrespeito total. Não só os alunos vilipendiam os educadores como também os governantes o fazem.
Acredito que não seja necessário dizer que sempre fui um incondicional admirador do Senador Paulo Paim que, há anos, vem apresentando projetos para tornar minimamente respeitável a atividade dos mestres. Sabemos que o Senador é do partido do Governo e o que sempre vi? Os “líderes” do próprio governo, fazendo pressão para que os partidos que o apóiam rejeitem os projetos do Senador. Entra ano, sai ano e a mesmice continua. Respeito demais o Senador para não pensar em uma plataforma eleitoral e então surgem as perguntas? Porque o Senador continua nessa legenda? A rejeição constante aos seus projetos não é uma atenuante à infidelidade partidária? Até quando os Senhores Senadores vão persistir na atitude mesquinha de negar aos Mestres – acredito que, em um passado não tão remoto já os tiveram, até porque os Imperadores os tiveram – como dizia: negar aos Mestres, um respaldo, que mais do que um direito configura um sinal de respeito a quem fez deles o que hoje são.
Apenas a título de sugestão, conclamo a todos os políticos deste País, que traz na bandeira o dístico “Ordem e Progresso”, que desçam dos seus palanques, esqueçam por uma hora dos privilégios que desfrutam e se encaminhem a uma escola qualquer, entrem em uma sala de aulas e sem dizer quem são, apresentando-se apenas como professores, tentem ensinar alguma coisa.
Boa sorte.
domingo, 3 de julho de 2011
segunda-feira, 21 de março de 2011
CARCARÁ PEGA, MATA E COME
Mary Beth. . . Epa, agora fui levado pela conversa que ouvi na praia, entre uma turista e uma vendedora ambulante conterrânea da cantora baiana.
A conversa que presenciei, teve o condão de me levar a uma triste conclusão, a de que: Eu deixei o Brasil, ou, o Brasil me deixou. Explico melhor.
Depois de uma breve troca de palavras sobre a qualidade e o preço do artesanato oferecido, a turista perguntou à jovem qual era o seu nome, ao que esta respondeu num átimo, com a sua deliciosa pronúncia nordestina, MARIRRELPI.
-“Como?” Perguntou a turista.
-“MARIRRELPI” respondeu a vendedora.
Ante a cara de espanto da turista a jovem explicou:
-“Óxente, não é preciso esse espanto. O meu nome é Maria do Socorro, que é muito feio, por isso, agora eu digo que me chamo de MARIRRELPI. Em “ingreis” fica muito mais bonito.
Assim são os brasileiros de hoje. Só são brasileiros quando o assunto é Futebol ou Carnaval, no mais, trazem entranhada dentro de si, uma incomensurável vergonha de revelar a sua origem, e o que é pior, desdenham de tudo e de todos os que não se envergonham disso.
Já discuti com um desses apátridas, que defendia a tese de que não foi Santos Dumont o inventor do avião e sim os irmãos Wright.
Tenho participado de acirradas discussões sobre problemas educacionais e sempre ouço palavras depreciativas ao modelo de educação musical proposto por Villa-Lobos (o CANTO ORFEÔNICO), jogadas ao vento por indivíduos que jamais tiveram em mãos o projeto original e se baseiam apenas no que dele fizeram os maus professores, ou o que é pior, para poder enaltecer apenas os métodos: “Orff” (alemão), “Dalcroze” (Suíço), “Kodaly” (Húngaro), “Suzuki” (Japonês), Willems (Belga) de quem, por sinal, fui Auxiliar Pedagógico, quando do curso que o Mestre realizou em São Paulo.
Recentemente em Simpósio realizado na “Sorbonne”, a musicóloga Maria Helena Pinto da Silva Elias, de Belém do Pará, Pesquisadora Associada ao “Observatoire Musical Français” relatou: “A observação prática pianística (leia-se musical) no Brasil revela uma relativa ausência da música atual e uma frágil presença da produção brasileira...”. Mais adiante: “Impõe-se uma reação, pois a escassa divulgação da produção musical brasileira em geral tem sérias consequências além das nossas fronteiras”. Em outro trecho diz: “O país difunde e promove prioritariamente a música popular que, na sua diversidade, não deixa de ter exemplos interessantes e atraentes. Mas, a meu ver, a música erudita brasileira também os possui. Por isso talvez seja a hora de ajudá-la um pouco mais”.
Como se pode observar, enquanto o estadounidense é AMERICANO, o Francês, FRANCÊS, o Alemão, ALEMÃO e por ai vai; O brasileiro é, cada vez mais, menos brasileiro.
Pensando na última frase da musicóloga paraense, volto a matutar: Fui eu que deixei o Brasil, ou foi o Brasil que me deixou?
Você deve estar pensando:
- Mas aonde ele quer chegar?”
Eu digo.
De que valeu: Haver trabalhado durante 47 anos como educador; Vencer mais de uma dezena de prêmios em concursos de composição (erudita); Ser escolhido doze vezes como “Melhor do Ano” pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); ser eleito Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música; estar associado a entidades “defensoras” dos Direitos Autorais desde 1956 e não haver recebido, desde essa época, R$ 0,01 (um centavo) pelas milhares de execuções de minhas obras no Brasil e no Exterior?
Por quê, para receber um misero cachê referente a um recital de piano com obras de minha autoria, patrocinado pela prefeitura de São Paulo, tive que pagar “direitos autorais a mim mesmo” e até hoje não recebi NADA do ECAD? E agora sou surpreendido pela notícia de que Mary Beth, ou seja, a nossa Maria Bethânia é agraciada com, nada mais, nada menos do que R$ 1,3 milhão, ou seja, um milhão e trezentos mil reais para fazer um “BLOG”?
Sinto-me como uma presa sendo devorada por aves de rapina, já que o lema parece ser: PEGA, MATA E COME.
Será que pelo meu trabalho e projeção nacional e internacional, não seria merecedor, também, de um prêmio no mínimo semelhante? Que devo fazer:
Mudar de país?
Afiliar-me ao bando de “Carcarás” que o invadiram, mesmo não tendo a intenção de tornar-me desonesto, imoral e desavergonhadamente capacho de culturas outras que não a nossa?
Mudar meu nome de Sérgio Vasconcellos-Corrêa para Serge Vasconselov Von qualquer coisa?
Mudar de país?
Afiliar-me ao bando de “Carcarás” que o invadiram, mesmo não tendo a intenção de tornar-me desonesto, imoral e desavergonhadamente capacho de culturas outras que não a nossa?
Mudar meu nome de Sérgio Vasconcellos-Corrêa para Serge Vasconselov Von qualquer coisa?
É, continuo sem saber se fui eu que deixei o Brasil, ou se foi o Brasil que me deixou?
sábado, 12 de fevereiro de 2011
NOTÍCIAS
O Conservatório de Música, Dança e Teatro “Villa-Lobos” de OSASCO, acaba de lançar o Regulamento do seu “VII Concurso de Piano”, que este ano homenageia o Compositor paulista Sérgio de Vasconcellos-Corrêa.
Informações – Regulamento – Inscrições, na Fundação Instituto Tecnológico de Osasco, rua Camélia, 26 – Jardim das Flores – Osasco – SP, ou pelo telefone: (11) 3652-3018 e 3652-3043.
Madrigal ARS VIVA de Santos, sob a direção do Maestro Roberto Martins, apresenta
a AVE MARIA do compositor Sérgio de Vasconcellos-Corrêa.
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A professora, compositora e pianista Dra. Sílvia Berg, organizadora do “I Encontro Internacional de Educadores em Música” (11 a 14 de abril de 2011) do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras – USP - de Ribeirão Preto (FFCLRP, USP Ribeirão Preto), chefiado pelo professor Dr. Rubens Ricciardi, acaba de nos enviar o honroso convite para proferir a Palestra de Abertura do referido “Encontro”, a ser realizada em 11 de abril p. f. , quando se dará a apresentação do Projeto MÚSICA-CRIANÇA-FORMAÇÃO PROFISSIONAL DE EXCELÊNCIA, a ser iniciado em ainda em 2011.
O “Encontro” prevê, além da Abertura Oficial, Recital de Piano com obras do palestrante e de outros compositores brasileiros, Oficinas, Palestra-diálogo entre o compositor, o interprete, alunos e o público, culminando com a apresentação do projeto MÚSICA-CRIANÇA.
Maiores informações pelos telefones: (55 16) 3602-3136 - (55 16) 3602-3169 E (55 16) 3602-4821 (fax), ou diretamente no Departamento de Música da FFCLRP – Universidade de São Paulo – Campus de Ribeirão Preto (SP) AV. Bandeirantes, 3.900 – Ribeirão Preto – SP- CEP: 14.040-900.
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CARTA ABERTA
Prezado Ouvidor
É estarrecedora a situação da Cultura no Brasil.
Relembrando a fala do nosso ex-presidente: "Como nunca antes neste País", a cada dia que passa mais nos é dado a perceber que: a incompetência, a ignorância, a falta de sensibilidade, o desconhecimento dos mais rudimentares preceitos de boa educação e o desrespeito àqueles que lutam por um país mais culto, menos desigual, mais civilizado e menos cafajeste, são coisas que vão ficando no passado.
É inconcebível que o País que teve um Imperador compositor de "Música Erudita" (D.Pedro I), um Presidente de Estado, compositor de "Música Erudita" (Carlos de Campos), o maior compositor de óperas das Américas (Antonio Carlos Gomes), um dos maiores compositores de "Música Erudita" do século XX (Heitor Villa-Lobos), se encontre hoje na triste e humilhante condição de ver, relegados aos mais baixos níveis de audiência, os programas teatrais, radiofônicos, televisivos e outros que tais, dedicados à música culta, por culpa única e exclusiva dos incompetentes que dirigem a cultura em nosso País. Para que criar emissoras de rádio e de TV com nomes pomposos - Radio Brasil, Rádio Ministério da Educação e Cultura, as diversas "Rádio Cultura", espalhadas por todo o território nacional se o que elas fazem, mal e porcamente, é divulgar a "A Grande Música", como o programa há anos dirigido por José Schiller na TV Brasil, sempre sujeito à boa vontade de programadores despreparados, incultos e preconceituosos?
Realmente, o Presidente Lula tem razão, "nunca antes neste País", tão poucos - despreparados - tem o poder de desrespeitar e de frustrar o prazer estético de significativa parcela (culta) da população.
Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
Compositor membro da Academia Brasileira de Música.
Professor Doutor (Aposentado) - UNICAMP/ UNESP
Educador: Professor Efetivo da Secretaria da Educação – SP (1º lugar em Concurso Público de Títulos e Provas), Escola de Demonstração (USP) /Ginásios Vocacionais de São Paulo/Ginásios Estaduais Pluricurriculares Experimentais / SEFORT (Serviço de Ensino pelo Rádio e TV da Secret. da Educ. do Governo do Estado de São Paulo
Conselheiro Fundador do Museu da Imagem e do Som (SP).
Jornalista: “Folha de S
domingo, 30 de janeiro de 2011
A Música nas Escolas

A Música nas Escolas
Artigo extraído do livro Planejamento em Educação Musical
(1ª edição 1971) e (2ª edição 2011)
Sérgio de Vasconcellos-Corrêa
(30-01-2011)
Venho observando, as exposições feitas pelos mais diversos especialistas consultados a respeito da volta da Educação Musical às escolas, e chego à conclusão de que os objetivos que têm em mente vão: da simples proposta de inclusão de práticas recreativas com música, até a formação de orquestras.
O mais alarmante, é que nenhuma dessas propostas explora a música no seu aspecto formativo.
No geral deixam antever, quando muito, apenas “objetivos imediatos” - relacionados “ao fazer” musical - com ênfase na prática instrumental, postura meramente casuística, apoiada no engodo político da profissionalização, sem falar na manifesta, preconceituosa e antieducativa predileção por determinada vertente artística, seja ela popular ou erudita, atitude absolutamente contrária aos princípios que devem nortear qualquer ação educativa no âmbito da coletividade. Acredito, sinceramente, que a responsabilidade por tal indefinição é devida ao instrumento legal que trouxe a música de volta às escolas. Uma Lei que ao invés de privilegiar a educação na sua base, atende claramente a interesses outros, entre os quais, o dos músicos populares e eruditos sem formação pedagógica, o dos fabricantes de instrumentos musicais, o dos pedagogos sem formação musical, em detrimento dos verdadeiros educadores musicais, uma vez que o artigo que tratava da “formação dos professores” foi vetado, por decisão irresponsável do próprio Ministério da Educação. É assustador constatar, que aqueles a quem cabe cuidar da educação no país, não sabem a diferença que existe entre EDUCAR e ENSINAR.
O ensino musical, este sim deveria ser regulamentado, dando-se “status” de primeiro grau aos Conservatórios, de modo que esses estabelecimentos de ensino musical preparassem, durante um mínimo de seis anos, os estudantes de música interessados em ingressar no Curso Superior e não o absurdo de permitir - como ocorre atualmente - que estudantes com o mínimo de conhecimentos musicais, ingressem nas Faculdades de Música e três anos depois, saiam com diplomas de Bacharéis como: instrumentistas, regentes, compositores, musicólogos e professores, inclusive de Educação Musical, sem qualquer preparo no vasto e complexo mundo da Educação.
Espero que um pouco de bom senso ilumine a todos os que apoiaram essa Lei estapafúrdia e os faça lutar pela implantação do primeiro grau artístico sob a responsabilidade das escolas especializadas, deixando aos educadores a tarefa de educar, utilizando a música como instrumento.
Senhores políticos. Antes de criar projetos de Lei, consultem os que são do ramo, não os que circulam em sua órbita, interessadamente. Ponham a mão na consciência, pesquisem, ou se isso der muito trabalho, consultem as entidades de classe capacitadas a opinar a respeito, porém, não se esqueçam de solicitar a essas entidades, que procurem em seus quadros os nomes daqueles que já deram provas de proficiência no setor. De nada adianta a Academia Brasileira de Música, órgão consultivo do Governo Federal, indicar compositores, pianistas, historiadores e críticos de música que jamais entraram em uma sala de aulas de primeiro grau, para opinar a respeito do que não entendem, ou seja, EDUCAÇÃO MUSICAL.
É por isso que assim me manifesto a respeito dessa excrescência transformada em Lei, que agora entra em vigor, e discordo de todos os que a encamparam:
Non Credo
Não creio no político, todo poderoso,
Criador, para si, de um céu na terra,
Não creio nas excelências, nossos senhores,
Concebidos em conchavos, pelo poder de espíritos corruptos,
Nascidos da Ganância,
Padeceram sob a ditadura,
Crucificados, enaltecidos e perseguidos
Desceram aos porões do DOPS,
Subiram a rampa do planalto,
Estão sentados à esquerda da Democracia
De onde julgam os vivos e os mortos.
Não creio na justiça,
na sinceridade das palavras,
na comunhão das idéias,
na remissão dos males,
na ressurreição da honra
na honestidade,
Não Creio.
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