sábado, 14 de abril de 2012

"Eu te batizo com o nome de peixe"


“Eu te batizo com o nome de peixe”
(14 de abril de 2012)

       Tudo no Brasil acontece com tal rapidez que o hoje, não é mais hoje, é: anteontem. 
       As coisas se sucedem com tal velocidade que, quando nos damos conta delas, já era. 
       As lembranças do passado, antes vistas como algo para justificar a decrepitude, são agora, as válvulas de escape encontradas para procurar entender o que está acontecendo; Se é que dá para entender. O “saudosismo” entra aqui para mostrar que a pilantragem sempre existiu e que nós, os patetas, sempre a reverenciamos fazendo o sinal da cruz. Porque digo isso? Vou explicar:
       Já lá se vão oitenta anos, o pároco da igreja de uma cidadezinha do interior - acostumado a “visitar” o seu rebanho diariamente, um dia na casa de cada ovelha – ao chegar a Sexta-Feira Santa, chegou de supetão à residência de uma das suas fieis para almoçar. A fiel - que não era tão fiel assim - havia esquecido que a data não era propícia à carne vermelha e havia feito um apetitoso assado. À chegada do padre, constrangida e contrita, a “filha de Maria” não sabia o que dizer para se desculpar e, alegando mil razões, prontificou-se a fazer outro almoço, deixando a apetecível carne assada para o dia seguinte. O padre, condescendente, do alto da sua imaculada postura eclesiástica, não se fez de rogado e disse:

       - Minha filha, não se preocupe, eu resolvo a questão.

       E assim o fez, dirigiu-se à mesa, benzeu o assado e abençoou-o dizendo:

      - Eu te batizo com o nome de peixe.

      Embora não o pareça, esta história é verídica, aconteceu com uma das nossas avós.
      Conto-a aqui para mostrar que, em tempos idos, a malandragem também corria solta; os espertalhões aproveitavam-se da credulidade, da boa fé e da honestidade do “Zé Povinho” para tirar suas vantagens, no entanto, comparadas com as atuais, afiguram-se como “desonestidades inocentes”, se assim as podemos classificar.
      Hoje passados oitenta anos, “Pastores” enriquecem à custa da credulidade alheia; Políticos acima de qualquer suspeita são flagrados em situações espúrias, cometendo delitos que envergonham aqueles que neles confiaram; Pode um País que se diz “moderno”, com pretensão a “quinta potência mundial”, apoiar-se, como ainda o faz, em leis caducas da década de quarenta?; E os defensores dos “direitos humanos”, que hipocritamente só defendem os “diretos dos desumanos”, digo hipocritamente, porque não acredito que esses abnegados defensores dos pobres delinquentes - vítimas da sociedade - se disponham a adotar, por exemplo, um “estuprador”, levando-o para ser reeducado em sua casa, junto da sua mulher e filhas.
      Os desmandos em todas as esferas políticas da Nação chegaram a tal ponto, que o Senador Pedro Simon, pediu da tribuna, a ação efetiva das redes sociais (internet) para agirem em prol da decência política no país. A resposta a esse pedido, se não foi anterior à solicitação do ilustre Senador, serve para demonstrar que o raciocínio do ilustre homem público está correto.
        Eis na íntegra o E-Mail que recebi logo após ver e ouvir a sessão desta sexta-feira do Senado Federal:

Manifesto

       Peço a cada destinatário encaminhar este E-Mail para um mínimo de vinte pessoas da sua lista de endereços e, por sua vez, pedir a cada um deles que faça o mesmo. Em três dias a maioria das pessoas no Brasil terá esta mensagem.

Lei de Reforma do Congresso de 2012 (Emenda da Constituição do Brasil)

1. O Congressista receberá salário somente durante o mandato e não terá direito a aposentadoria     diferenciada em decorrência dele.

2. O Congresso passa a contribuir para o INSS. Todo o fundo (passado, presente e futuro) de aposentadoria do Congresso passará para o regime do INSS e o Congressista passa a participar dos benefícios dentro do regime, exatamente como todos os brasileiros. O Fundo não poderá ser usado para qualquer outra finalidade.

3. O Congressista deve pagar o seu plano de aposentadoria, do mesmo modo que todos os brasileiros.

4. O Congresso deixa de votar o seu próprio aumento de salário, que será objeto de plebiscito.

5. O Congressista perde o seu seguro atual de saúde e participa do mesmo sistema de saúde do povo brasileiro.

6. O Congressista esta sujeito às mesmas Leis vigentes para o povo brasileiro.

7. Servir no Congresso é uma HONRA, não uma carreira. Todos os parlamentares terão direito a um mandato e a uma recondução, caso sejam reeleitos, findos os quais, devem voltar a vida de cidadãos comuns.

8. Em todas as instâncias os votos serão obrigatoriamente abertos, permitindo aos eleitores fiscalizar o real desempenho dos Congressistas.

9. Serão permitidos apenas TRÊS partidos políticos, acabando de vez com os conchavos proporcionados pelos partidos nanicos.

10. Político comprovadamente corrupto perderá o direito, para sempre, de continuar na vida pública.

11.Outras sugestões poderão ser juntadas a estas, para demonstrar que não precisamos de quem nos represente, que sabemos o que queremos e o que não queremos, para o bem da nossa Pátria.

    É chegada a hora da mobilização geral para acabar com a impunidade dos corruptos eleitos. Só mobilizados poderemos consertar o Congresso. Se estiver de acordo participe e sugira novas medidas.
       O autor do E-mail, ao pedir que o mesmo seja enviado a outras vinte pessoas, o faz no sentido de não deixar que a ideia se perca no vazio.
       As sugestões são singelas? Sim, sem dúvida, mas é assim que se começa.
       Pense comigo: Existem indivíduos justos e injustos; Honestos e desonestos; Corruptos e incorruptíveis. Não cabe na cabeça de ninguém que se possa encontrar alguém “mais ou menos, justo” e “mais ou menos, honesto” ou “mais ou menos, corrupto”. Do mesmo modo é inconcebível pensar que existam os “mais ou menos patriotas”. Ou se é patriota ou não se é. Assim sendo conclamo, aqueles que são visceralmente brasileiros, que sigam a sugestão do Senador Pedro Simon, e ajam como o amigo que me enviou o citado E-mail para que possamos, no menor espaço de tempo possível, viver em um país que nos orgulhe de aqui havermos nascido.

domingo, 8 de abril de 2012

Manifestem-se os que são do ramo




Sinceramente, um dos campos que eu gostaria de dominar, ou pelo menos, ter a formação necessária para poder abordar e discorrer é o da psicologia e da psicanálise, no entanto, apesar da atração que sinto pela área, sei que não devo me atrever a julgar atitudes e comportamentos que estão além da minha compreensão. Assim, só me resta, fazer constatações, expor atitudes compatíveis e incompatíveis com a minha maneira de pensar e deixar aos profissionais a palavra final sobre o assunto que vou abordar. Sei, por exemplo, que é dado o nome de “complexo de inferioridade”, a sensação de que se é “inferior” - em algum aspecto - a alguém e que esse “sentimento imaginário” geralmente é inconsciente. No geral, o indivíduo que o possui é levado a querer demonstrar “superioridade” através de posturas que acabam por reforçar ainda mais as falsas idéias que habitam o seu subconsciente sobre a importância, a qualidade e o valor que tem - ou julga ter - configurando uma fuga deliberada do que julga ser o seu “status quo”. Acontece que esse “complexo de inferioridade” assume proporções mais preocupantes quando deixa de ser individual para tornar-se coletivo. É o que alguns consideram como “inferioridade cultural”. Esse complexo não nasce do nada, ele se intensifica aos poucos, por meio de insinuações, comparações - pertinentes ou não – e endeusamentos que acabam por levar a objetivos subjetivos que acabam por reforçar, ainda mais, o grau de negativismo, responsável pelo sentimento de inferioridade. Algumas causas podem ser facilmente apontadas, tais como: o costume arraigado de alguns pais, que usam a “comparação” para ensinar aos filhos o que é “certo” e o que é “errado”, atribuindo aos seus uma das duas posturas; Os preconceitos de ordem social relacionada à supremacia “intelectual”, “religiosa”, “racial”, “sexual” e até mesmo “econômica” de um povo sobre os demais; A “necessidade de auto-afirmação”, que procura na aceitação alheia os louros que venham coroar o seu egocêntrico “complexo de superioridade”. Essas idéias me vêm à cabeça quando começo a comparar o que nós, brasileiros, dizemos e fazemos, vejamos: Houve um plebiscito para escolher qual o regime político da nossa preferência. Rejeitamos a “Monarquia”, no entanto, somos REIS em tudo. Rei Momo; Rei da Voz; Rei Pelé; Rei Roberto Carlos; Rei do Baião; As Escolas de Samba são verdadeiras cortes; Império Serrano, Império do Papagaio (que desfilou em Helsinque na Suécia em 2004), Império do Povo (Macapá), Imperatriz Leopoldinense e outras. Não nos contentamos em “ser bons”, somos sempre “Os Maiores”. . . “do Mundo”. Em outros aspectos, a grande maioria se diz orgulhosa de ser “brasileira”, no entanto não respeita o BRASIL. Um dos símbolos mais representativos que temos é o nosso HINO NACIONAL, que dizem ser difícil - por ser muito longo e por ter muitas palavras incompreensíveis - no entanto sabem de cor qualquer letra, de qualquer música, em idiomas que não conhecem e cujo significado desconhecem. O pior, não o respeitam - por gestos e atitudes - quando é apresentado e vejam, não estou me referindo apenas ao povo, mas, também aos que o dirigem. Se fosse obrigatório saber cantá-lo para tomar posse em cargos públicos, do mais simples funcionário ao presidente da República, teríamos vagas sobrando. Analisando esses fatos - que são uma constante entre nós - sem pretender estabelecer quaisquer confrontos ou comparações, mas, apenas citar realizações recentes, chamo à atenção do leitor para que reflita sobre o tema deste artigo. • A Orquestra Sinfônica do Conservatório de Tatuí, sob a direção do Maestro alemão Felix Krieger apresentou, no Teatro “Coliseu”, em Santos, um concerto inteiramente dedicado à música alemã, com obras de Christoph Willibald Gluck, Georg Friederich Handel e Wofgang Amadeus Mozart. As três obras fazem parte do projeto pedagógico-artístico “Música Orquestral Alemã” de estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo Conservatório de Tatuí. O Projeto reverencia o compositor e pianista santista José Antonio de Almeida Prado. Seria cômico se não fosse deprimente. Não pensem que vou recriminar o Maestro Felix Krieger, muito pelo contrário, o jovem artista demonstrou exatamente o que lhe competia fazer, apresentar os autores da sua terra, que hoje, devido a outros como ele, são compositores do mundo. Ninguém em sã consciência pode deixar de reconhecer o valor da música e dos músicos alemães, do passado e do presente. Nada a censurar, também, quanto ao fato da Prefeitura de Santos abrir as portas do seu belíssimo Teatro “Coliseu” para acolher os visitantes e oferecer música de qualidade aos seus munícipes. O que causa estranheza é a nota do jornal “A Tribuna” - Evidentemente não culpo o jornal, se a alguém cabe culpa é ao redator - Geralmente o que se vê? Quando se trata de autores brasileiros, economia de letras para poupar espaço; Villa-Lobos; Mignone; Guarnieri; Gnatalli; Santoro, apenas os nomes de família. Aos estrangeiros pelo contrário, só falta agregar títulos e apelidos. Agora, o fato de o repertório fazer parte de um “Projeto Artístico-Pedagógico” direcionado à “Música Orquestral Alemã”, de “Estímulo a jovens talentos brasileiros, revelados pelo Conservatório de Tatuí”, é bastante sintomático. Não seria mais pertinente um projeto direcionado à “Música Orquestral Brasileira” que permitisse aos jovens interpretes (instrumentistas e regentes) do país, conhecer e apreciar a música dos compositores brasileiros? No entanto, o absurdo dos absurdos é constatar que o projeto diz reverenciar um autor brasileiro – José Antonio Rezende de Almeida Prado – sem, no entanto, apresentar nenhuma obra do talentoso e inesquecível compositor santista. Isso, para mim, configura um acinte à memória do artista e a todos os compositores brasileiros. Tenho a certeza, absoluta, que já estou sendo criticado, pois, no Brasil, aquele que propugna por maior visibilidade para os seus artistas é acoimado de xenófobo, enquanto o estrangeiro é patriota. Mas, não pensem que este foi o único caso da semana, não, a TV Cultura de São Paulo, apresentou no final da semana, um belíssimo recital do extraordinário Nelson Freire, gravado no Festival de Verbier (Suíça - 2007) no qual o pianista apresentou obras de Bach, Beethoven, Debussy, Albeniz e Schumann. Vendo isso, como não louvar a atitude do jovem pianista chinês Lang Lang, que ao fazer a sua estréia no Carnegie Hall (NY) apresentou, na primeira parte do programa, obras de: Schumann, Haydn, Schubert e na segunda, vestido a caráter - como chinês que é - obras de seu conterrâneo, Dun Tan, além de uma extraordinária peça folclórica, em duo com seu pai Guo-Ren Lang executando um instrumento típico chinês. Vamos pensar juntos: Sofremos ou não do “complexo de inferioridade”? Vamos, ou não, lutar pela construção da nossa identidade cultural? Manifestem-se os que são do ramo.

sábado, 31 de março de 2012

DEI UM NÓ NO CÉREBRO


DEI   UM   NÓ   NO   CÉREBRO
(29-03-2012)

De poucos anos pra cá, venho acumulando dúvidas e incertezas, no mínimo preocupantes.
São dúvidas, sobre o que aprendi como: o que é CERTO, e o que é ERRADO.
Incertezas, sobre o que me ensinaram ser: o JUSTO e o INJUSTO.
Preocupantes, porque o CERTO não é mais CERTO, o CERTO agora é o ERRADO e o JUSTO, INJUSTO ficou.
A preocupação vem, exatamente, do fato de que tudo o que é INJUSTO é aceito tranquilamente, como JUSTO.
Já não sei se opinar é CERTO ou ERRADO. Tenho a impressão que é ERRADO, pois, antes era CERTO.
Tenho medo de clamar por JUSTIÇA e . . . Acabar INJUSTIÇADO.   
Sempre ouvi dizer que “A justiça é cega”. Acho que começo a entender por que.
Passei minha vida ensinando, CERTO; ERRADO.
Hoje tenho dúvidas sobre, se tudo o que preguei estava ERRADO ou CERTO.
Nunca emiti opiniões em assuntos que não sabia, por estar convicto de que não era JUSTO. Hoje, qualquer ignorante, mesmo sem saber por que o faz, emite pareceres e clama por JUSTIÇA.
Ouço dizer, constantemente, que o nível de aprendizado dos alunos da rede pública é fraco – CERTO - e os que o afirmam apontam soluções CERTAS. ERRADO.
Sempre soube que aos educadores cabe educar – CERTO - e que são eles que ditam as normas do ensino - ERRADO. São os técnicos de gabinete que, na sua crassa ignorância, confundem EDUCAR com ENSINAR. Para eles as disciplinas ESSENCIAIS são o CERTO e as demais, as SUPÉRFLUAS, o ERRADO. Será isso JUSTO ou INJUSTO?
A grande maioria acha que cabe à escola “ensinar”, o que é CERTO, no entanto, essa mesma maioria rebela-se quando as crianças são “ensinadas” a fazer o que não fazem em casa, ou seja, limpar o que sujaram, seria o CERTO, mas dizem que é ERRADO.
Quando um professor é agredido, física e moralmente pelos alunos, não lhe resta alternativa a não ser, deixar-se espezinhar, para não ser admoestado e punido, CERTO? Se tomar atitudes como: enviar o aluno à direção da escola para que a mesma possa tomar as medidas corretivas cabíveis, convenientes e educativas como deveria acontecer, está sujeito a ser demitido, processado, exonerado – ERRADO - o CERTO é ficar de bico calado para não sofrer sanções.
Um árbitro de futebol pode “expulsar” técnico e jogadores que não se portem de maneira conveniente, CERTO? No entanto se o professor tomar essa atitude, o “expulso” será ele, ERRADO? Não, a hipocrisia que reina entre nós diz que isso está CERTO.
Está na moda denunciar a violência física ou psicológica sobre, ou entre os alunos, a qual recebe o nome importado de “Bullying”, CERTO? E quando essa violência é direcionada pelos alunos contra professores, ou entre os professores “efetivos” contra os “eventuais” que nome recebe?“Intimidating”? Sabemos que muitos jovens chegaram ao suicídio devido a essa prática perniciosa e quantos professores estão aposentados pelo Departamento Médico dos Estados devido ao “Intimidating”, ou abandonaram o magistério ocasionando a falta de qualidade e quantidade de que hoje nos ressentimos? O que é CERTO e o que é ERRADO. Por favor, aquele que souber dizer, com JUSTEZA, o que CERTO e o que é ERRADO, que venha em meu socorro. Não acho JUSTO ficar dando “tratos à bola” sem saber por que os JUSTOS estão sempre ERRADOS e os INJUSTOS, CERTOS, ou os CERTOS estão CERTOS quando estão ERRADOS e os JUSTOS são INJUSTOS quando se dizem JUSTOS. Socorro. Acho que estou sendo vítima de “Bullying”, ou será “Intimidating”, “Intimidating”, ou “Bullying”. Qual é o CERTO? Qual é o ERRADO?. É JUSTO fazer isso com um velho professor?

segunda-feira, 26 de março de 2012

Para ser Professor é preciso . . . Boa Sorte

Ah! O velho Professor Raymundo.
O Salário do Professor hó ...... R$%%%%%%%%%%%
Pois é!
Eu havia chegado à conclusão que o melhor seria pendurar as chuteiras.
Tentei. No entanto, ao fazer as contas; ao perceber que joguei fora os melhores anos da minha vida tentando colaborar, no sentido de deixar um Brasil melhor para os meus filhos, netos e agora bisnetos; que dei socos em ponta de faca, para ter orgulho do meu país, o que vejo?
Um povo bruto, mal educado, perverso. Orgulhoso de ser corrupto. Desrespeitoso; Agressivo; Antiético; Grosseiro; Inculto; Separatista . . . Sim, Separatista, pois a maioria não se diz Brasileiro e sim

Afrodescendente
Amazonense
Carioca
Catarinense
Gaúcho
Mineiro
Nordestino
Paranaense
Paulista
Quilombola

Um povo que Mata; Rouba; Grita; Afronta; Corrompe e Ofende, sempre com um sorriso nos lábios.
Um povo que não respeita idade, hierarquia, sabedoria é um povo que não se respeita. É um povo que não pensa que amanhã – se não for morto antes - também terá idade. Se for íntegro e trabalhador poderá vir a ser, hierarquicamente, respeitável e se estudar, consequentemente terá toda a probabilidade de se tornar mais sábio que a maioria.
Passei minha vida em salas de aula, respeitando para ser respeitado, tendo na mente o exemplo japonês que permite apenas ao Professor, o não inclinar-se perante o Imperador, pelo simples fato de que, sem o Professor não haveria o Imperador. No entanto, o que vemos por aqui? O desrespeito total. Não só os alunos vilipendiam os educadores como também os governantes o fazem.
Acredito que não seja necessário dizer que sempre fui um incondicional admirador do Senador Paulo Paim que, há anos, vem apresentando projetos para tornar minimamente respeitável a atividade dos mestres. Sabemos que o Senador é do partido do Governo e o que sempre vi? Os “líderes” do próprio governo, fazendo pressão para que os partidos que o apóiam rejeitem os projetos do Senador. Entra ano, sai ano e a mesmice continua. Respeito demais o Senador para não pensar em uma plataforma eleitoral e então surgem as perguntas? Porque o Senador continua nessa legenda? A rejeição constante aos seus projetos não é uma atenuante à infidelidade partidária? Até quando os Senhores Senadores vão persistir na atitude mesquinha de negar aos Mestres – acredito que, em um passado não tão remoto já os tiveram, até porque os Imperadores os tiveram – como dizia: negar aos Mestres, um respaldo, que mais do que um direito configura um sinal de respeito a quem fez deles o que hoje são.
Apenas a título de sugestão, conclamo a todos os políticos deste País, que traz na bandeira o dístico “Ordem e Progresso”, que desçam dos seus palanques, esqueçam por uma hora dos privilégios que desfrutam e se encaminhem a uma escola qualquer, entrem em uma sala de aulas e sem dizer quem são, apresentando-se apenas como professores, tentem ensinar alguma coisa. 
Boa sorte.

segunda-feira, 21 de março de 2011

CARCARÁ PEGA, MATA E COME


Mary Beth. . . Epa, agora fui levado pela conversa que ouvi na praia, entre uma turista e uma vendedora ambulante conterrânea da cantora baiana.

A conversa que presenciei, teve o condão de me levar a uma triste conclusão, a de que: Eu deixei o Brasil, ou, o Brasil me deixou. Explico melhor.

Depois de uma breve troca de palavras sobre a qualidade e o preço do artesanato oferecido, a turista perguntou à jovem qual era o seu nome, ao que esta respondeu num átimo, com a sua deliciosa pronúncia nordestina, MARIRRELPI.

-“Como?” Perguntou a turista.

-“MARIRRELPI” respondeu a vendedora.

Ante a cara de espanto da turista a jovem explicou:

-“Óxente, não é preciso esse espanto. O meu nome é Maria do Socorro, que é muito feio, por isso, agora eu digo que me chamo de MARIRRELPI. Em “ingreis” fica muito mais bonito.

Assim são os brasileiros de hoje. Só são brasileiros quando o assunto é Futebol ou Carnaval, no mais, trazem entranhada dentro de si, uma incomensurável vergonha de revelar a sua origem, e o que é pior, desdenham de tudo e de todos os que não se envergonham disso.

Já discuti com um desses apátridas, que defendia a tese de que não foi Santos Dumont o inventor do avião e sim os irmãos Wright.

Tenho participado de acirradas discussões sobre problemas educacionais e sempre ouço palavras depreciativas ao modelo de educação musical proposto por Villa-Lobos (o CANTO ORFEÔNICO), jogadas ao vento por indivíduos que jamais tiveram em mãos o projeto original e se baseiam apenas no que dele fizeram os maus professores, ou o que é pior, para poder enaltecer apenas os métodos: “Orff” (alemão), “Dalcroze” (Suíço), “Kodaly” (Húngaro), “Suzuki” (Japonês), Willems (Belga) de quem, por sinal, fui Auxiliar Pedagógico, quando do curso que o Mestre realizou em São Paulo.

Recentemente em Simpósio realizado na “Sorbonne”, a musicóloga Maria Helena Pinto da Silva Elias, de Belém do Pará, Pesquisadora Associada ao “Observatoire Musical Français” relatou: “A observação prática pianística (leia-se musical) no Brasil revela uma relativa ausência da música atual e uma frágil presença da produção brasileira...”. Mais adiante: “Impõe-se uma reação, pois a escassa divulgação da produção musical brasileira em geral tem sérias consequências além das nossas fronteiras”. Em outro trecho diz: “O país difunde e promove prioritariamente a música popular que, na sua diversidade, não deixa de ter exemplos interessantes e atraentes. Mas, a meu ver, a música erudita brasileira também os possui. Por isso talvez seja a hora de ajudá-la um pouco mais”.

Como se pode observar, enquanto o estadounidense é AMERICANO, o Francês, FRANCÊS, o Alemão, ALEMÃO e por ai vai; O brasileiro é, cada vez mais, menos brasileiro.

Pensando na última frase da musicóloga paraense, volto a matutar: Fui eu que deixei o Brasil, ou foi o Brasil que me deixou?

Você deve estar pensando:

- Mas aonde ele quer chegar?”

Eu digo.

De que valeu: Haver trabalhado durante 47 anos como educador; Vencer mais de uma dezena de prêmios em concursos de composição (erudita); Ser escolhido doze vezes como “Melhor do Ano” pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); ser eleito Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música; estar associado a entidades “defensoras” dos Direitos Autorais desde 1956 e não haver recebido, desde essa época, R$ 0,01 (um centavo) pelas milhares de execuções de minhas obras no Brasil e no Exterior?

Por quê, para receber um misero cachê referente a um recital de piano com obras de minha autoria, patrocinado pela prefeitura de São Paulo, tive que pagar “direitos autorais a mim mesmo” e até hoje não recebi NADA do ECAD? E agora sou surpreendido pela notícia de que Mary Beth, ou seja, a nossa Maria Bethânia é agraciada com, nada mais, nada menos do que R$ 1,3 milhão, ou seja, um milhão e trezentos mil reais para fazer um “BLOG”?

Sinto-me como uma presa sendo devorada por aves de rapina, já que o lema parece ser: PEGA, MATA E COME.

Será que pelo meu trabalho e projeção nacional e internacional, não seria merecedor, também, de um prêmio no mínimo semelhante? Que devo fazer:
Mudar de país?
Afiliar-me ao bando de “Carcarás” que o invadiram, mesmo não tendo a intenção de tornar-me desonesto, imoral e desavergonhadamente capacho de culturas outras que não a nossa?
Mudar meu nome de Sérgio Vasconcellos-Corrêa para Serge Vasconselov Von qualquer coisa?

É, continuo sem saber se fui eu que deixei o Brasil, ou se foi o Brasil que me deixou?